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Multidão agride Suzane, Daniel e Christian e os chama de "assassinos"

A palavra assassinos foi a mais ouvida nesta quarta-feira pela universitária Suzane Von Richthofen e pelos irmãos Daniel e Christian Cravinhos de Paula e Silva, acusados de matar o engenheiro Manfred Von Richthofen e sua mulher, Marísia. Em todos os lugares por onde passaram, a multidão gritava e pedia a pena de morte para os três.Na chegada à casa da família, na Rua Zacarias de Góis, no Campo Belo, zona sul, eles receberam tapas na cabeça ao passar por um paredão formado por cerca de 60 pessoas, entre jornalistas e moradores do bairro. Outra centena de curiosos acompanhava um pouco à distância.Colocados em um Kadett branco - onde estava Suzane - e em dois carros da Polícia Civil, eles saíram do 77º DP, no Centro, e do 89º, no Morumbi, e foram ao posto do Instituto Médico-Legal (IML) do Brooklin para exames de corpo de delito. De lá, seguiram para a casa da Rua Zacarias de Góis, onde fariam a reconstituição.Já na porta do IML, populares começaram a gritar, enquanto eles eram conduzidos pelos policiais. De acordo com a polícia, Suzane chorou dentro do prédio.A perseguição dos carros da imprensa aos veículos da polícia na Avenida Água Espraiada foi um capítulo à parte. Precariamente equilibrados sobre motos, cinegrafistas tentavam, a todo custo, obter imagens dos três pela janela dos veículos.Quando o grupo chegou à casa, por volta das 10 horas, começou uma grande confusão. O local não havia sido isolado - o que só ocorreu mais de uma hora depois - e os presos passaram pelo meio da multidão. Suzane foi a primeira a entrar.De cabeça baixa e jaqueta jeans, ela passou espremida pela multidão. Levou um murro na cabeça. Não disse nada, assim como os cúmplices. Os irmãos também foram agredidos. O chefe dos investigadores da 1ª Delegacia de Homicídios, Carlos Eduardo, disse que ela chorou de novo ao entrar no imóvel onde foram mortos os pais.O irmão, Andreas, havia chegado minutos antes, num Santana verde. Revoltada, a dona de casa Júlia Mendes foi uma das pessoas que chamaram Suzane de "assassina" quando ela entrou na casa. Os irmãos foram chamados de "vagabundos". Moradora da região, ela não se conformava com o crime. "A gente cria uma filha, principalmente no caso dela, tendo tudo o que quer, e ela faz uma coisa horrível dessas?"A seu lado, um grupo de pessoas pedia prisão perpétua para o grupo. Outros pediam pena de morte. Maria Lúcia de Souza, de 41 anos, também dona de casa, optou por um protesto. A filha Jenifer Vivian, de 7 anos, e o filho João Wilker, de 9, levavam cartazes com frases de carinho dirigidas ao pai, José Wilmar, e à mãe."A gente quer pedir que as pessoas não façam mais isso. O mundo está muito difícil, e a paz cada vez mais distante", lamentou o menino. "Quando cheguei em casa ontem (terça), eles estavam dizendo que me amavam. Chorei muito e decidi fazer a manifestação", disse a mãe.Houve ainda quem deixasse o trabalho para ir ver os presos, como Luis Laédio, de 38 anos, que cuida de piscinas no bairro. "Nunca aconteceu isso por aqui. Por isso, as pessoas estão curiosas e revoltadas."Acompanhe toda a história nos links abaixo. » Quinta, 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » Sexta, 1/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » Segunda, 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » Terça, 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » Quarta, 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » Quinta, 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » Sexta, 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal » A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato » Assassinos do casal têm prisão provisória decretada » Polícia encontra material furtado da mansão do casal » Suzane era meiga e quieta, dizem colegas » Richthofen era homem-chave do Rodoanel » Matam os pais e não mostram remorso » Especialistas acreditam em "distúrbio mental" » Casal queria mandar a filha para a Alemanha » Sábado, 9/11: "Cheguei a pensar em desistir, mas já não tinha volta", disse Suzane » Pena de assassinos do casal pode chegar a 50 anos

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 21h20

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