Multidão em Minas lembra um ano da morte de Jean Charles

Uma multidão nas ruas da cidade mineira de Gonzaga, neste sábado, lembrou o dia em que o corpo de Jean Charles chegou à cidade. No aniversário da morte do brasileiro, o município do interior de Minas Gerais parou novamente para protestar contra o assassinato do eletricista, morto no metrô de Stockwell, em Londres, por agentes da Scotland Yard ao ser confundido com um terrorista.O momento serviu para um pedido de paz ao mundo. Os moradores passaram a semana inteira preparando dez mil rosas brancas, feitas com papel, que foram espalhadas pela cidade e no cemitério onde o mineiro foi sepultado. Durante uma passeata, familiares e a comunidade também se manifestaram contra a determinação da promotoria pública britânica de não punir individualmente os policiais envolvidos no assassinato do brasileiro. Juntos, fizeram o mesmo percurso de um ano, quando Jean Charles foi enterrado. O sentimento da população é de que a família não deve parar os protestos e as tentativas de revisão no processo.Os pais do brasileiro voltaram a pedir justiça. A mãe, Maria Menezes, de 60 anos, classificou a decisão das autoridades da Grã-Bretanha como uma afronta. "Um caso grave como esse não pode terminar assim. Atiraram no meu filho pelas costas. Mataram um trabalhador, um inocente", afirmou.Os pais de Jean Charles moram numa pequena propriedade rural há 12 quilômetros da cidade. Passaram os últimos dias na casa de um dos filhos em Gonzaga. Ao lado do telefone, aguardaram ansiosos por notícias sobre o resultado das investigações. Não foi como queriam. "Ficamos muito ofendidos, mas continuaremos lutando. Alguém tem que pagar pela morte do meu filho", disse Matozinhos, pai do brasileiro.No dia em que Gonzaga recordou o trágico 22 de julho da morte de Jean Charles, os dois só saíram de casa para acompanhar a passeata e um culto ecumênico. Fiéis de vários credos lembraram não só de Jean, como também de outros filhos da cidade que morreram no exterior.Gonzaga possui aproximadamente 5,5 mil habitantes. Quase dois mil vivem fora do país, principalmente nos Estados Unidos. Só nos últimos quatro anos, 20 pessoas da região morreram no exterior. A maioria em acidentes de trânsito e trabalho.

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