Multidão lota desfile de bonecos em Olinda

Risos largos, enormes - sua altura vai até 3,40 metros e o peso chega a 30 quilos - 100 bonecos gigantes de Olinda, uma das marcas da folia da cidade, se reuniram hoje, pelo décimo-nono ano consecutivo, para fazer um desfile em conjunto e extasiar a multidão com suas cores, brilho e alegria. Acompanhados por quatro orquestras de frevo, os bonecos só não puderam fazer suas costumeiras evoluções, rodando e balançando os braços, porque a multidão não deu espaço durante todo o percurso, de quase dois quilômetros, cuja apoteose ocorreu na frente da prefeitura, por onde passam as centenas de blocos e troças carnavalescas, durante todo o período de carnaval. Ganhou quem chegou cedo no pátio da igreja de Guadalupe, na periferia, local de concentração dos gigantes. Ali, famílias, crianças, gente do povo e amantes do carnaval se confraternizaram ao som de um show de Antúlio Madureira, artista pernambucano que levou a ema e a cobra - 30 metros de comprimento e 1,40m de largura - para divertir a todos com suas brincadeiras. Quem ali estava também pôde fotografar e cumprimentar Lia de Itamaracá, imortalizada pela sua ciranda que ganhou o mundo ("Esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na Ilha de Itamaracá..."). Patrimônio vivo da cultura brasileira - título concedido pelo Ministério da Cultura - Lia também dá vida a um dos bonecos gigantes, e desfilou (como boneca) ao lado dos compositores Capiba e Nélson Ferreira, Selma do Côco e outros personagens do carnaval da cidade. Com sua postura de rainha africana, Lia, 62 anos, foi saudada ao microfone por Madureira e estava feliz. "É bom esse reconhecimento, vou fazer show à noite no Portal de Olinda", contou. Uma queima de fogos que durou cinco minutos, anunciou a saída dos bonecos, às 10h30. Neste ano, surgiu uma nova versão, que também participou da apresentação. Manipuláveis, leves, em menor tamanho eles pesam três quilos. Os donos da festa, porém, são os tradicionais Homem da Meia-Noite - o mais velho, nascido em 1932 - A Mulher do Dia e O Menino da Tarde, além de outros mais recentes, como o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o cientista Einstein, palhaços, figuras políticas como a prefeita Luciana Santos (PC do B). Política no frevo Segundo o bonequeiro e criador do encontro, Silvio Botelho, que confeccionou a maioria dos participantes, 11 dos 13 novos bonecos desfilantes foram encomendados por políticos. Sem nome nacional ou mesmo estadual, eles não eram reconhecidos pelas pessoas, e não conseguiram politizar a festa. Mesmo assim Botelho demonstrou preocupação e garantiu que no próximo ano vai se ater aos bonecos que falam da festa, até para não ser acusado de estar desvirtuando a cultura popular. A prefeita Luciana foi a primeira a ter seu boneco, logo depois de ganhar a eleição, em 2000. O prefeito do Recife João Paulo (PT) veio em seguida. Ambos foram reeleitos. A justificativa é que ambos ajudaram a dinamizar o carnaval. Silvio já tem encomenda para confeccionar mais de 50 bonecos para campanhas eleitorais em todo o País. Cada um custa mais de R$ 2 mil, bem menos que o preço de um outdoor. No início da tarde, Olinda já estava intransitável, tomada por agremiações históricas e também improvisadas, como "A Banda do Pente", que reuniu foliões soprando pentes de plástico. A folia, que se espalhou por vários pólos da cidade, também estava presente, com a mesma empolgação, no Recife Antigo e em pólos de bairros da capital. A despedida seria realizada na madrugada de hoje com show conjunto de Alceu, Antonio Nóbrega, Lenine, Lula Queiroga e maestros reconhecidos como Spok, Duda, Almir Araújo e Zé Menezes. Na Praça do Marco Zero, onde nasceu o Recife, sob o domínio do frevo.

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2006 | 17h16

Mais conteúdo sobre:
carnaval carnaval 2006

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.