Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Munição foi roubada 'há vários anos' da PF, afirma Jungmann

Segundo o ministro, Polícia Federal já abriu mais de 50 inquéritos para apurar desvio de munição do lote UZZ-18

Fabio Serapião e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 20h59

BRASÍLIA - O ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou ao Estado que os cartuchos encontrados no local onde a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada pertenciam à Polícia Federal e que foram desviadas "há vários anos". Segundo o ministro, a PF abriu mais de 50 inquéritos para descobrir os responsáveis pelos desvios das munições.

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Ainda de acordo com Jungmann, a PF já mapeou munição desse lote roubada em uma agência dos Correios da Paraíba e, também, desviada por um escrivão da Superintendência da Polícia Federal no Rio. No caso do escrivão, o ministro afirmou que o policial foi preso e exonerado. 

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A PF instaurou um inquérito nesta sexta-feira, 16, para apurar como a munição comprada pela corporação, em 2006, foi utilizada no assassinato da vereadora. A descoberta sobre a origem da munição foi feita pela Polícia Civil fluminense.

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Segundo os investigadores, a munição faz parte do lote UZZ-18 comprado pela PF,  em 2006, da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). Cápsulas de munições do mesmo lote também foram encontradas no local da maior chacina do Estado de São Paulo, em agosto de 2015, quando 17 pessoas foram mortas em Osasco e Barueri. Sobre a munição encontrada nos crimes na Grande São Paulo, o ministro não soube informar se houve conclusão da investigação a respeito.  

Marielle foi assassinada na noite de quarta-feira, 14, após reunião com grupo de mulheres negras na Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Os assassinos alvejaram quatro vezes o rosto da parlamentar. Outras três balas mataram o motorista dela, Anderson Pedro Gomes.  

"A PF está fazendo todo o rastreamento de dados e vai muito brevemente as conclusões a que chegou. A PF disponibilizou seu melhor especialista em impressão digital e DNA para colher material dessas cápsulas, porque a PF tem um banco de dados de material", disse Jungmann. 

O Estado apurou que o lote de munições comprado em 2006 é visto internamente como "problemático" pela PF. O principal ponto seria o tamanho do lote. Embora a PF não revele informações, a reportagem descobriu que o lote foi um dos maiores já comprados pela corporação. A aquisição dessa munição foi uma das primeiras realizadas pela PF após a regulamentação da necessidade de identificação do lote prevista no Estatuto do Desarmamento. 

Por causa do tamanho do lote, essa munição foi espalhada pela PF para todos suas superintendências nos 26 Estados e no Distrito Federal. Outra dificuldade que a PF enfrenta para descobrir quem desviou as munições para os bandidos é a falta de controle sobre o material recebido por cada policial. Com base no lote, a PF sabe apenas qual superintendência estadual recebeu, mas não consegue apontar quem é o policial responsável por ela. 

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