Muro e pista cedem na Ricardo Jafet

CET interditou trecho de 50 metros da avenida; provável causa de afundamento é infiltração em uma galeria pluvial

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Em menos de 15 dias, a cidade de São Paulo sofre o segundo solapamento de via pública provocado por infiltrações em galerias de águas pluviais ou por uma obra. Ontem, um trecho de mais de 50 metros da Avenida Ricardo Jafet, entre as Ruas Pero Correia e Professor Serafim Orlandi, no limite do Ipiranga com a Vila Mariana, zona sul, foi interditado depois de parte do muro de contenção do Córrego Ipiranga ceder e afundar a pista no sentido Rodovia dos Imigrantes. No fim do mês passado, vazamento de um coletor tronco de esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) abriu um buraco de 3 metros de diâmetro na Avenida Rudge, região central.A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) avalia que seja necessário fechar todo o trecho caso ocorra chuva forte e a estrutura da via fique comprometida. A provável causa do solapamento na Ricardo Jafet é a infiltração provocada por uma galeria de água pluvial que passa no local ou mesmo alguma galeria de água ou esgoto da Sabesp. De acordo com técnicos da Prefeitura, no local já havia sido identificada uma galeria antiga, a cerca de 12 metros de profundidade, mas que continua aberta. E exatamente no local do afundamento, toda vez que se fazia cobertura de terra, esse material sumia, provavelmente sugado pela estrutura.A Secretaria de Infra-estrutura Urbana informou por meio de nota que as razões da queda do muro só serão esclarecidas por uma empresa especializada, a ser contratada para elaborar um laudo técnico. A Sabesp informou que não há nenhuma ocorrência em sua rede no local que pudesse causar a queda do muro. No outro lado da avenida, sentido centro, estava sendo realizada nova cobertura de asfalto pela Prefeitura.A CET fez um grande bloqueio da faixa esquerda da Ricardo Jafet. Hoje, serão colocadas estacas para conter a terra e evitar novos deslizamentos. As obras de restauração serão executadas em regime de urgência pela Prefeitura.CENTENÁRIAA rede coletora de águas pluviais na cidade é enorme. Tem pelo menos 2,3 mil quilômetros, e boa parte é centenária, com dimensões que não comportam mais o fluxo de água. Há também cerca de 300 córregos canalizados. Algumas das galerias têm estrutura de tijolinhos, do começo do século passado,como a sob a Avenida 9 de Julho, região central. Outra galeria problemática é a Traição, sob o Túnel Ayrton Senna, no Parque do Ibirapuera, zona sul, onde há sujeira, infiltrações, lixo e estacas fincadas no meio da passagem, o que obstrui o fluxo de água. Há verba para a recuperação de galerias antigas, localizadas na região central. É dinheiro incluído nos R$ 100 milhões para revitalização do centro, sob a responsabilidade da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. O plano não deslanchou ainda.A Prefeitura não tem um mapeamento da situação atual das galerias pluviais no Município. Em 2004, na gestão Marta Suplicy (PT), foi feito monitoramente com robôs que gravavam toda a extensão das galerias. Foram percorridos cerca de 25%, ou 575 quilômetros. Depois, o trabalho foi suspenso.

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