THIAGO RIBEIRO/ESTADÃO
THIAGO RIBEIRO/ESTADÃO

Museu Nacional queimou por mais de seis horas, dizem bombeiros

Bombeiros estão trabalhando agora no resfriamento das estruturas; ainda há focos de fumaça

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 08h43
Atualizado 03 Setembro 2018 | 13h26

RIO - O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira, 3, que o incêndio no Museu Nacional durou mais de 6 horas. Iniciado por volta das 19h30 de domingo, 2, o fogo durou até por volta de 2 da manhã desta segunda-feira, 3. Após o exaustivo combate às chamas, prejudicado pela falta de água nos hidrantes da instituição, iniciou-se ainda de madrugada o trabalho de rescaldo, que deve durar mais de dois dias.

Esta etapa foca no resfriamento das estruturas, que são encharcadas para que eventuais focos de fogo sejam combatidos. Ainda é  possível ver fumaça em alguns pontos. Equipes de cinco quartéis estão no local. Quem coordena a operação é o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Roberto Robadey. A possível causa do início do incêndio ainda não foi divulgada. No entanto, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou ao Estado que há duas possibilidades sobre as causas do incêndio em investigação: o fogo pode ter sido causado por um balão ou por um curto-circuito.

Por ora, não há risco de desabamento do prédio, que é do século 19 e vinha com manutenção falha havia décadas. Segundo os bombeiros, a fachada é bastante espessa.  Ainda segundo a corporação, se houver algum tipo de desabamento, ele deve acontecer na parte interna do edifício. 

"Dois hidrantes, mais próximos, estavam sem carga (força) e pedimos para a Companhia Estadual de Água e Esgotos (Cedae) desviar água para cá. Neste momento, temos a garantia de que não faltará água. Há muito material combustível com muita madeira no piso do prédio. Além disso, há muito material inflamável, muito animal com álcool e isso dificulta o trabalho", explicou um oficial dos bombeiros na noite de domingo. Só depois de quatro horas de iniciado o fogo a situação da água foi normalizada.

A Cedae afirmou que havia água nos dois hidrantes próximos ao Museu Nacional. Em nota, a Companhia explica que o problema foi a dimensão do incêndio, mas que foram disponibilizados outros hidrantes na localidade da Quinta que abasteceram os carros-pipa que atuaram no local.

"Não houve falta d'água em momento algum no local" , informou a Cedae, destacando que a disponibilização de carros-pipa é um procedimento normal quando o incêndio é de grandes proporções, como no caso do Museu. "(Nesses casos) a equipe se apresenta no local para verificar a necessidade de apoio aos bombeiros, seja no envio de carro-pipa ou abastecimento de hidrante. No caso deste incêndio, a Cedae disponibilizou carros-pipa que estão à disposição para uso dos bombeiros, mesmo com a região estando plenamente abastecida", afirmou em nota.

A Cedae não soube informar no entanto quem faz a manutenção dos hidrantes, mas garantiu que estavam funcionando, segundo informação dos bombeiros.  Pelo telefone a assessoria da empresa explicou que apesar de não haver nenhum problema nos hidrantes  próximos ao museu,  pelo volume do incêndio era necessário mais pressão na água e velocidade, o que foi contornado com a cessão de outros hidrantes na área "mais 4 ou 6 hidrantes", segundo a assessoria, e a cessão de carros-pipa, que infelizmente não conseguiram evitar a perda de um patrimônio irrecuperável.    

Protestos foram convocados para esta segunda-feira, 3, no local.  O primeiro acontece às 9 horas da manhã e reunirá docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que é vinculada ao museu. Outros atos devem acontecer às 14 horas e às 16 horas.

 

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