Música para a oposição ouvir

Ronaldo Bastos diz que ele e Milton Nascimento rejeitaram oferta do governo para usar canção

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2010 | 00h00

Ocompositor Ronaldo Bastos e seu parceiro, o cantor Milton Nascimento, teriam rejeitado uma oferta de uso, pela Presidência da República, de sua canção Nada Será Como Antes, de 1972. Segundo Bastos, o governo fez uma oferta para utilizar a música numa campanha publicitária ancorada no slogan "Agora o Brasil vai para a frente/Porque nada será como antes".

"Não sou eleitor deste governo, não fui antes, não o aprovo, sou dos que não o aprovam", afirmou o compositor. "E, mesmo que tivesse simpatia, não daria (a canção) porque a música brasileira tem sido tratada como cachorro. Somos tratados como detentores de privilégios, não de direitos; somos tratados como "pelegos". Era bastante dinheiro, mas não posso dizer quanto. O Milton não quis nem saber".

O compositor afirmou que a negativa ? que ele tornou pública durante encontro de artistas com o presidenciável tucano, José Serra, no Rio, na madrugada de ontem ? também se deve ao fato de que o governo estaria tentando aprovar uma nova lei de direitos autorais que ele considera danosa para criadores, sem ouvir as associações de classe que já estão organizadas. "É uma mudança meio sorrateira, meio mafiosa."

Em nota, o Ministério da Cultura informou que não há "nenhuma possibilidade de a lei permitir uso de qualquer obra, sem autorização, a qualquer campanha eleitoral". O principal foco da lei, defendem seus idealizadores, é criar instâncias de fiscalização e mediação dos órgãos de arrecadação de direitos de autor ? o Brasil é dos raros países que não fiscaliza arrecadação de direitos.

Bastos demonstrou ainda acreditar que o uso da música num comercial estatal poderia beneficiar a campanha de Dilma Rousseff. Ele declarou voto em Serra."Entre os candidatos que tem aí, é o melhor." E chamou o ministro Juca Ferreira de "baiano triste de biografia obscura".

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