Tasso Marcelo/AE
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Músicas de blocos do Rio fazem piada com notícias do ano

Pré-sal, 'mensalão do DEM', vestido de Geisy e até censura ao 'Estado' viram samba na boca dos foliões

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2010 | 14h08

RIO - O pré-sal, o "mensalão do DEM", o vestido de Geisy, o Hino Nacional (mal) cantado por Vanusa... Alguns dos assuntos mais comentados de 2009 continuam na boca do povo neste carnaval, nos sambas dos blocos de rua cariocas. A menos de duas semanas do início oficial da folia, milhares de foliões já estão pulando e cantando no Rio - só no último fim de semana, entre ensaios e desfiles, foram mais de 15 blocos, que atraíram cerca de 50 mil pessoas.

 

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O Imprensa Que Eu Gamo, bloco de Laranjeiras fundado por jornalistas há 15 anos, saiu no sábado à tarde, com um samba que falou sobre a censura ao Estado (que completa hoje 187 dias), a lei antifumo, o fechamento da boate Help!, a morte de Michael Jackson, os comentários infelizes de Boris Casoy sobre garis, vazados na internet, além do vestido que Geisy Arruda usou na Uniban, em São Paulo, e o hino cantado errado por Vanusa.

 

O sábado foi animado também em Ipanema. A tradicional Banda de Ipanema, que neste carnaval homenageia Oscar Niemeyer, ganhou o aval do arquiteto de 102 anos, cujo traço ilustra sua camiseta oficial. O domingo foi agitado em vários pontos da cidade.

 

Nem todos os blocos têm samba próprio. Há os que prefiram músicas já conhecidas, como as marchinhas carnavalescas, caso da Banda de Ipanema. Além de Niemeyer, outros homenageados deste ano são os compositores Noel Rosa, pelo Simpatia É Quase Amor, e Moacyr Luz, pelo Nem Muda Nem Sai De Cima, do qual ele é fundador. "Com que roupa eu vou? / Hoje eu resolvo este dilema/ Com que roupa eu vou?/ Vou de amarelo e lilás para Ipanema", diz o samba do Simpatia, que desfila em Ipanema. "Eu já morri de rir/ De tudo que vivi/ Nos botequins mais vagabundos/ Me embriaguei demais", brinca o Bloco da Muda, na Tijuca.

 

O Suvaco do Cristo, do Jardim Botânico, fala de seus 25 carnavais, enquanto o Cutucano Atrás, do Leme, em seu quinto desfile, viaja para o Norte do País, num samba que mistura Fafá de Belém, a banda Calypso e fauna amazônica. O Barbas, que sai em Botafogo, escolheu dois sambas, ambos sobre o pré-sal. "O Barbas faz a festa e anuncia/ Achamos chope na camada do pré-sal/ Bora chope, tira chope/ Nunca acaba a saideira/ Bota a sonda lá no fundo/ Vou fincar minha bandeira", debocha uma das letras.

 

A prefeitura promete que este será o carnaval de rua mais organizado da história, e os efeitos de suas novas normas (cadastro de todos os blocos, com horários rígidos para começo e dispersão; ambulantes cadastrados e uniformizados) já estão sendo sentidos pelos frequentadores, que, ao menos neste pré-carnaval, elogiam as medidas.

 

Estima-se que 2,5 milhões de pessoas participem dos blocos, entre cariocas e turistas. A urina nas calçadas é um de seus efeitos colaterais. Mesmo com o número maior de banheiros químicos e com a instalação de faixas como "Segura o xixi que o banheiro é logo ali", homens e mulheres foram flagrados neste fim de semana urinando na rua - por vezes, ao lado dos banheiros.

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