Fernando Azevedo
Fernando Azevedo

Músico resgata variados estilos pernambucanos

Antúlio Madureira passa pelo maracatu de baque virado (origem africana), pelo caboclinhos (indígena), pelo bumba meu boi (ibérico) e pelo frevo

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 03h00

RECIFE - Mestre de cerimônia, cantor, dançarino e músico, Antúlio Madureira, de 57 anos, comanda um espetáculo que revela um panorama da cultura popular pernambucana. Em duas horas, ele faz o público passear pelo maracatu de baque virado (de origem africana), pelo caboclinhos (indígena), pelo bumba meu boi (ibérico) e pelo frevo. Dança o coco e convida os presentes a participar de uma grande ciranda na rua. 

Pesquisador e criador de instrumentos musicais, Antúlio começa a apresentação com a Quinta Sinfonia de Beethoven em ritmo de maracatu de baque virado, adentra pelos caboclinhos executando peças com sua flauta, apresenta animais do bumba meu boi, cai no frevo rasgado, alivia com frevos-canção, vai de cavalo-marinho e pode dar chance a um brega clássico. Tudo acompanhado por 12 músicos. 


O público interage e quem se dispõe acompanha a cobra, uma enorme alegoria feita de pano, que abriga quem quiser dançar debaixo dela. Começou a carreira em 1977, como dançarino e depois como diretor musical, no Balé Popular do Recife, fundado por seu irmão André. “O Balé Popular foi celeiro valioso de vocações para a cultura popular”, afirma a atriz e secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, admiradora da família Madureira. “Quem não costura borda. Quem não dança canta”, brinca. “Os Madureira desabrocharam juntos e nenhum deles teve desvio de função”, elogia.

Com vários discos gravados, Antúlio não se deixa vencer pelas dificuldades de divulgação e apoio comercial. “Vamos fazendo milagre”, diz. O artista discorda, entretanto, da visão de que sua luta é para preservar as raízes culturais. “No carnaval tudo é permitido e nada é obrigatório”, afirma.

Cheio de histórias para contar, Antúlio vivenciou o retorno da vitalidade do carnaval pernambucano, que até a década de 1980 se limitava aos clubes. “O frevo era um complemento.” Ontem, ele se apresentou em Bom Jardim e faz espetáculos amanhã no Marco Zero, às 17 horas, e na terça-feira, às 23 horas, na Praça do Arsenal.

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