Mutirão acaba com disputa entre prefeitura e Estado em obras

Obras no Morro da Providência vão continuar em regime de mutirão apenas com doações feitas por empresários

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 19h20

Em regime de mutirão, os moradores do Morro da Providência, no centro, voltaram nesta quinta-feira, 26, a trabalhar nas reformas das casas após autorização do juiz Fábio Uchôa, responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral no Rio. Com isso, terminou a disputa política que surgia entre Estado e prefeitura pelo controle da obra. O magistrado embargou na terça-feira as obras do projeto Cimento Social sob a alegação de uso eleitoral pelo senador e pré-candidato à prefeitura do Rio, Marcelo Crivella (PRB-RJ).   Veja também: Moradores da Providência iniciam mutirão para acabar obras Polícia diz ter identificado assassinos dos jovens da Providência Com obras embargadas, Exército deixa Morro da Providência   De acordo com o TRE-RJ, o juiz autorizou os moradores e a empreiteira a terminar apenas as 30 casas que ficaram inacabadas, sendo que 16 delas estavam sem telhado. O governador Sérgio Cabral Filho voltou a falar que assumiria a obra, apesar de criticar o projeto por não ter "um caráter estruturante". A assessoria de comunicação da Secretaria de Assistência Social informou que empresários depositaram doações que somaram R$ 95 mil na conta da Associação de Moradores para o término das obras, mas que o secretário Marcelo Garcia ficaria afastado da Providência "em respeito à decisão do TRE-RJ, que proibiu o poder público de se envolver na questão".   "Ficamos felizes, pois durante este período de até 25 dias em que vamos terminar as casas, lutaremos para que toda a obra seja finalizada", disse o encarregado da obra, Alex Oliveira dos Santos, de 32 anos. A presidente da Associação de Moradores do Morro da Providência, Vera Melo, foi a Brasília pedir ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, a liberação dos recursos para pagar os operários e fazer um apelo pela continuidade da obra sem a presença do Exército. Um representante da construtora Edil, que aluga as máquinas, disponibiliza técnicos e realiza os pagamentos aos trabalhadores acompanhou a líder comunitária na capital federal.   Entre as beneficiadas pela retomada das obras estava a dona de casa Maria Gonçalves de Albuquerque, de 26 anos. A casa dela estava sem teto desde a paralisação dos operários em protesto contra a morte dos três jovens moradores do morro levados por militares para traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, que é dominado por uma facção rival a que controla as bocas-de-fumo da Providência. "Fiquei feliz porque colocaram o teto, mas perdi um sofá por causa da chuva. A casa está melhor do que antes", disse Maria.   Após a saída do Exército com o embargo da obra, a Polícia Militar reforçou o policiamento no trecho de 100 metros da Rua Barão da Gamboa onde acontecem as obras. Nesta quinta, a pedidos de PMs, operários apagaram as pichações com as siglas do Comando Vermelho, facção criminosa que domina a favela. As pichações feitas com os tijolos das obras surgiram na quarta-feira, 25, no dia seguinte ao embargo das obras e da saída do Exército do morro.   Mineira   O delegado-titular da 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, voltou a afirmar que os traficantes do Morro da Mineira, que torturaram e mataram os jovens da Providência, estão identificados. "Não cometerei a irresponsabilidade de divulgar os nomes, pois atrapalharia as investigações. Estamos em fase de colher mais informações sobre estas pessoas para apresentar uma denúncia consistente", disse Dominguez. Policiais afirmaram que o tráfico de drogas ainda não voltou a atuar no local onde ocorrem as obras. No entanto, de acordo com policiais e documentos do Exército, os olheiros do tráfico não deixaram o morro e traficantes ainda atuam no Terminal Rodoviário Américo Fontenelle, na Central do Brasil, onde passam milhares de pessoas por dia.

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