Mutran faz campanha com carro oficial

Corregedor participou de evento com o filho, que é candidato a deputado pelo DEM

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 00h00

O corregedor da Câmara Municipal de São Paulo, Wadih Mutran (PP), usou na manhã de ontem carro oficial para participar de evento de campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato ao governo de São Paulo.

O carro, um Vectra prata com placa da Corregedoria da Câmara, foi estacionado irregularmente na Praça Oscar da Silva, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. O filho de Mutran, Ricardo Mutran (DEM), é candidato a deputado estadual e também participou do evento.

Mutran gasta, segundo prestação de contas à Câmara, R$ 1.714,75 ao mês para locação do veículo e uma média de R$ 700 mensais para combustível. Os valores, custeados pela verba indenizatória, são ressarcidos ao corregedor com apresentação de nota fiscal.

Wadih Mutran caminhou pela praça com adesivos colados na lapela promovendo as candidaturas de Alckmin e do candidato do PMDB ao Senado, Orestes Quércia. Entrou, ao lado do tucano, na Base Comunitária da Polícia Militar da Vila Guilherme e posou para fotos.

"Eu não estou fazendo campanha. Eu não estou fazendo campanha. Eu estou na minha região. Já atendi dez pessoas aqui com problema", reagiu o corregedor, que está em seu sétimo mandato como vereador na capital paulista.

Sobre os adesivos de Alckmin e Quércia na lapela, Mutran disse que não negaria se alguém quisesse colá-los. "O rapaz chegou, colocou, vou dizer não? Vou recepcionar o homem (Alckmin). E colei aqui (mostrando um envelope pardo com adesivo do tucano), qual o problema?"

Perguntado sobre o uso do carro oficial para o evento de campanha, Mutran disse não ver ilegalidade. "E daí? E daí? Não tem problema. Se vocês acham que tem, me condenem."

O corregedor - responsável por investigar irregularidades de seus colegas vereadores no Palácio Anchieta - foi ao evento de Alckmin a convite do subprefeito da Vila Maria, Antonio Perosa.

O subprefeito disse ao Estado considerar um "absurdo" o uso do carro oficial. "É exatamente contra o que lutamos, o uso da máquina, que Lula faz tanto por Dilma."

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