Na acareação, Gedimar apontou Freud como chefe da trama

Cara a cara com Freud Godoy e diante de uma delegada e dois agentes federais, o advogado petista Gedimar Pereira Passos sustentou a versão de que o ex-guarda-costas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no comando da trama do dossiê Vedoin. Foi no final da tarde de 18 de setembro que Freud e Gedimar foram colocados na mesma sala da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal, em São Paulo.Logo depois da acareação, o advogado de Freud, Augusto Botelho, afirmou que Gedimar permanecera calado durante todo o encontro - o que reforçou a interpretação de que nada havia contra Freud e que seu nome ficara sob suspeita por conta de um mal-entendido. Isso atendia aos interesses do Planalto, pois mantinha Lula afastado do escândalo. Mas a acareação foi diferente do que Botelho contou.A comparação entre depoimentos de Freud e Gedimar apontava uma contradição crucial. Gedimar, capturado na madrugada de 15 de setembro com parte do R$ 1,75 milhão que o PT usaria para comprar o dossiê Vedoin, atribuiu a Freud a ordem para repassar o dinheiro a Luiz Antonio Vedoin, chefe da máfia das ambulâncias.Freud, na tarde do dia 18, prestou depoimento à PF e negou ligação com o episódio. Disse que não teve ?qualquer influência, desconhecendo a negociação noticiada por Gedimar?. Na acareação, repetiu não ter passado ?qualquer determinação ou orientação a Gedimar quanto a eventual pagamento em troca de informações de posse da família Vedoin?.Diante da dúvida, a delegada Márcia Jorgete Di Lorenzo colocou Gedimar e Freud frente à frente. Duas pessoas, como manda a lei, foram testemunhas - os agentes federais Rodrigo Mincarone Dexheimer e Fabrícia Amaral Santos. O procedimento de acareação preenche duas páginas e revela um Gedimar decidido.Na primeira etapa da sessão, ele não retirou nada daquilo que tinha declarado. Manteve sua denúncia - o envolvimento de Freud na negociata. Indagado sobre quem do PT deu a ele ?a missão de realizar o pagamento do dinheiro aos emissários dos Vedoin em troca das informações pactuadas?, Gedimar reafirmou: ?Foi a mando de uma pessoa de nome Froude ou Freud, que, segundo consta, tem uma empresa de segurança no Rio de Janeiro/SP.?Na parte final da acareação, Gedimar invocou o direito constitucional de só falar à Justiça. Alegou que seus advogados ?não tiveram acesso aos autos?.Na explicação entregue posteriormente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investiga suposto envolvimento do presidente na farsa do dossiê, Gedimar, que é ex-agente da PF, disse que havia apontado Freud porque o delegado que o prendeu, Edmilson Bruno, o submetera a forte pressão. Bruno foi quem divulgou a foto do R$ 1,75 milhão e, por isso, pode perder o distintivo.

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