Na BA, médico pode atrasar caso Gracie

Sabino, acusado de homicídio, diz que não deixará de ir à Justiça

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2008 | 00h00

O promotor Paulo D''Amico Junior disse ontem ao Estado que a mudança do psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto para Salvador pode atrasar o andamento do processo judicial sobre a morte do lutador Ryan Gracie, em dezembro. As investigações estão na fase de inquérito e o delegado do caso, Roberto Calaça Vieira, do 91º Distrito Policial de São Paulo, já adiantou que o médico será indiciado por homicídio culposo (sem intenção), por ter ministrado remédios ao lutador que culminaram em sua morte.D''Amico, por sua vez, disse que o Ministério Público Estadual (MPE) também oferecerá denúncia contra Sabino, mas ainda não sabe se por homicídio culposo ou doloso. ''A mudança de endereço não deve interferir na fase do inquérito, mas pode atrasar o andamento do processo, porque há momentos em que a presença física dele é indispensável'', explicou. Os atos processuais que venham a ocorrer e necessitem da presença do médico terão de ser feitos por cartas precatórias - solicitações entre juízes, feitas por correspondências.Sabino disse ontem, por telefone, que sempre teve residência em Salvador, onde nasceu, e se mudou para ficar com a família. ''Estou sendo linchado, execrado, acusado e condenado pela mídia. Estou passando por um momento de grande sofrimento pessoal e estou tentando me reencontrar'', disse o psiquiatra, chorando.Segundo o advogado de Sabino, Sérgio Habib, o médico está na Bahia para cuidar da saúde, prejudicada com os desdobramentos do escândalo da morte de Gracie. ''Ele está em depressão profunda, chora muito'', afirmou. ''Mas ele não irá ficar somente aqui, vai retornar a São Paulo'', disse Habib, completando que a mudança não atrasará o andamento do caso.O médico disse que sua clínica Maxwell, em Atibaia, interior de São Paulo, está funcionando. Habib esclareceu que, em virtude do escândalo, a clínica ''não tem mais pacientes''. ''A situação hoje é de pré-falência'', disse Habib. A reportagem ligou para a clínica para perguntar preços de reservas. Uma funcionária ficou de retornar a ligação para passar as informações, mas não o fez.

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