Na Câmara de Dourados, tiros e bombas

PM reprime 800 pessoas que tentavam entrar no plenário para protestar contra corrupção

João Naves de Oliveira ESPECIAL PARA O ESTADO DOURADOS, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

Mais um tumulto marcou a sessão ordinária na Câmara Municipal de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Desta vez com bombas de efeito moral, tiros e pancadaria entre as pessoas que ficaram aglomeradas na porta, barrada por policias. A exemplo da semana passada, a sessão foi cancelada por falta de segurança.

Os trabalhos começaram às 19h30 (20h30 de Brasília), com o plenário tomado por 200 pessoas selecionadas e revistadas por soldados da Polícia Militar. Quando o vereador Aurélio Bonato (PDT) declarou aberta a sessão, a plateia virou as costas para os vereadores.

Houve tempo de empossar três suplentes e eleger a vereadora Délia Razuk (PMDB) - única entre os 12 vereadores da cidade a não ser indiciada no escândalo denominado "farra das propinas" - a nova presidente do Legislativo. Em seguida, Délia foi obrigada a deixar o plenário com outros seis vereadores. Pelo menos 800 pessoas que não conseguiram entrar começaram a gritar "fora ladrões" e forçar a entrada do local, destruindo a porta principal e vidros do prédio.

A PM usou bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão. Três pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Vida. Outras cinco foram presas, segundo informação iniciais da PM.

A convocação para os protestos começou pela manhã, quando um grupo de manifestantes saiu pelas ruas da cidade chamando o público para comparecer à Câmara. O resultado foi uma manifestação bem mais intensa do que a da última quinta-feira, quando o vereador Aurélio Bonato (PDT) dirigia os trabalhos legislativos e foi agredido com uma sapatada no rosto.

Panfletos com nomes e fotos dos acusados, com o título "Esses são os políticos que roubaram os douradenses", ainda circularam ontem pelas ruas da segunda cidade mais importante do Estado. Entretanto, os vereadores acreditavam que a aprovação do relatório da CPI da Saúde, indicando a cassação do prefeito Ari Artuzi, expulso do PDT semana passada, poderia acalmar os ânimos.

O documento acrescenta novas denúncias nas acusações apuradas pela Polícia Federal que resultaram na prisão do prefeito, da primeira-dama, de cinco secretários da prefeitura e de nove vereadores. O grupo está sendo acusado de formação de quadrilha, corrupção e direcionamento de licitações públicas. Outros dois parlamentares não chegaram a ser presos, mas foram indiciados pela PF. Segundo as denúncias, os acusados recebiam em média R$ 170 mil por mês de empresas beneficiadas em concorrência públicas fraudulentas.

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