Na CPI, advogadas negam colaboração com crime organizado

As advogadas Libânia Costa e Valéria Dammous, presas desde 28 de junho, negaram nesta quarta-feira, 2, à CPI do Tráfico de Armas qualquer participação no crime organizado. As duas advogadas haviam assinado depoimentos prestados à polícia paulista em que confessavam ser contratadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para prestar serviços à facção criminosa.Para os deputados da CPI, elas têm medo de serem mortas pelos criminosos para quem trabalhavam. Mesmo quando a sessão foi fechada, elas mantiveram a nova versão. Se insistirem nessa estratégia, as advogadas perderão o direito aos benefícios oferecidos pela delação premiada. Valéria e Libânia reconheceram que tiveram relacionamentos amorosos com presos, mas insistiram em dizer que o fato não tinha ligação com a suposta colaboração com o PCC, principalmente na disseminação de ordens entre os criminosos. "Você é um arquivo vivo", disse o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) a Valéria, que em vários momentos enfrentou com rispidez as pressões dos parlamentares."Elas mandaram um recado ao PCC: procuraram demonstrar fidelidade aos líderes. Mas o envolvimento das duas advogadas com o PCC e a participação na segunda leva de ataques, com diversas mortes, é cristalino", afirmou o relator da comissão, Paulo Pimenta (PT-RS). Valéria disse que, se tivesse a importância atribuída a ela pelos parlamentares, já teria sido resgatada da cadeia ou assassinada. "Depois da prisão, eu estava em uma cadeia de papel. É a cadeia com pouca segurança. Se eu fosse importante, ou teriam me resgatado ou teriam me matado. Oportunidades para me matar não faltaram", disse a advogada, atestando involuntariamente o poder da facção criminosa.DepoimentosLibânia e Valéria denunciaram terem sido constrangidas a assinar os depoimentos prestados à polícia, em Presidente Prudente, no dia da prisão. As duas disseram que há "mentiras" no texto e que não deram as informações que estão descritas nos dois documentos. Um das poucas declarações do depoimento confirmada por Valério foi o relacionamento com o preso Leonardo da Silva Fernandes, também conhecido como Léo, Igor ou Túlio, integrante do PCC que atua na atenção jurídica dos criminosos. A advogada negou, porém, ter dito que Leonardo atua no PCC. A advogada admitiu que falava com presos que usavam celular dentro da cadeia. "É extremamente comum. É chocante, mas é o que acontece", disse a advogada, que contou ter se informado antes de que tal fato "não é crime". Libânia revelou ter tido um relacionamento com um ex-preso, no presídio de Mirandópolis, mas não quis informar o nome do detento. "Eles usam a mesma tática, de se aproximarem das advogadas e depois fazê-las prestar os serviços", disse o deputado Neucimar Fraga (PL-ES). A advogada reclamou por ter sido avisada já depois de o depoimento começado que tinha habeas corpus preventivo, o que lhe garantia o direito de ficar calada.

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