Na CPI, Jefferson já revelava a razão para fome de cargos

Por que no Brasil os partidos vivem num clima beligerante por causa das nomeações para cargos importantes? A resposta mais clara - embora não completa - parece ainda ser a do ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente do PTB, durante depoimento à CPI dos Correios, no dia 30 de junho de 2005. Indagado pela então deputada e ex-juíza Denise Frossard (RJ) sobre a importância das nomeações, Jefferson, que era padrinho de vários diretores dos Correios, afirmou que essa era uma forma de os partidos captarem dinheiro. Não que recebessem os valores das empresas públicas onde tinham seus homens-chaves, mas pelas facilidades que as nomeações ofereciam no contato com empresas privadas.

Cenário: João Domingos, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

Informou ele: "É possível, na relação, a empresa privada ajudar por dentro, no caixa, o partido, fazendo doações. É assim que funciona há anos, sempre foi assim". E acrescentou: "Toda essa disputa, Juíza Frossard, passa por aí. Por que os partidos buscam nomear os cargos de governo? Para ter um homem numa área importante de decisão, que estabeleça uma relação com as empresas privadas".

Além das irregularidades que são encontradas pela Polícia Federal, Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público e permeiam as relações entre empresas públicas e privadas, as nomeações representam um pouco mais do que Jefferson revelou à CPI. Na Fundação Nacional da Saúde (Funasa), por exemplo, os partidos ganham visibilidade nas regiões mais longínquas. Os cargos são, ainda, máquinas de fazer votos.

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