Na crise, prefeito de Salvador busca verba para bancar carnaval

João Henrique reclama da falta de ajuda do governo da Bahia e diz que, em outros mandatos, o Estado ajudou

Agência Brasil,

11 Fevereiro 2009 | 21h06

A crise financeira internacional foi um dos motivos alegados pelo prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), para a fraca arrecadação nas empresas privadas com o objetivo de custear a festa de carnaval deste ano. Dos R$ 30 milhões que a prefeitura necessita para cobrir as despesas com a folia, o consórcio Tudo - OCP, coordenado pelo publicitário Nizan Guanaes, conseguiu captar apenas R$ 6 milhões, de acordo com o prefeito.   Veja também:  Cobertura completa do carnaval 2009   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia Especial: mapa das escolas e os sambas do Rio e de SP        Uma semana antes do início oficial da festa, João Henrique agendou uma série de encontros com empresários brasileiros com o objetivo de arrecadar recursos. "A empresa do Nizan captou R$ 6 milhões. O carnaval custa R$ 30 milhões", lembrou o prefeito no encontro de mais cerca de 3,5 mil prefeitos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Durante o encontro, o prefeito já marcava conversas com os donos das empresas aéreas Gol e TAM, além do Bradesco, banco que já administra a folha de pagamento da prefeitura. Além das empresas privadas, João Henrique solicitou ajuda à Petrobras, mais R$ 4 milhões do governo da Bahia e aproveita esta quarta-feira em Brasília para pedir dinheiro ao Ministério do Turismo.   "Este ano, com a crise financeira internacional, as grandes multinacionais se retraíram e, com o ano eleitoral, que prendeu as atenções de todo mundo, ainda mais [nos municípios] onde houve dois turnos, como em Salvador, também a captação ficou prejudicada. Ninguém sabia quem ia ser o prefeito. Havia um temor se o prefeito eleito manteria esse contrato com a empresa de publicidade", disse.   A empresa de publicidade, que venceu a licitação no ano passado para fazer o carnaval de Salvador também em 2009 e 2010, ainda ficará, pelo contrato, com 20% do total obtido. O restante será entregue à prefeitura, mas João Henrique já prevê que os recursos privados não serão suficientes para cobrir os custos. "Estamos correndo o pires para ver se chegamos o mais perto possível do valor que precisamos."   No ano passado, o consórcio conseguiu angariar apenas um terço da verba necessária para as despesas com o carnaval, de acordo com o prefeito. "Neste ano, quando a gente esperava cobrir pelo menos a metade, R$ 15 milhões, com a crise empresarial, esse montante caiu para R$ 6 milhões", disse o prefeito.   João Henrique ainda reclamou da falta de colaboração do governo da Bahia com a prefeitura e ainda do modelo adotado de financiamento da festa. "Encontramos um modelo péssimo de gerenciamento do carnaval, extremamente deficiente. A infraestrutura que a prefeitura monta para o carnaval acontecer custa em torno de R$ 30 milhões. Quando o meu antecessor administrava a cidade, o governo do Estado bancava tudo. Desde que eu assumi, nenhum governo do Estado me ajudou".   João Henrique ainda acrescentou: "A prefeitura já vive no aperto e fecha as contas no fim do mês com muita dificuldade, no zero a zero. Nem o primeiro governador [Paulo Souto] e nem o atual [Jaques Wagner] me ajudam, como o governador do DEM [Paulo Souto] ajudava o prefeito do DEM [Antônio Imbassahy], que praticamente cobria todas as despesas do meu antecessor".   "Eu não tive essa benevolência de nenhum dos dois governadores. Nem o do DEM e nem o atual do PT, com quem eu até tenho boas relações administrativas, mas o modelo é que é absurdo", reclamou. "A gente deixa de pagar a merenda escolar, os remédios dos postos de saúde, para pagar as despesas do carnaval. Tenha paciência. Minha folha de pessoal do mês é R$ 40 milhões. Então um carnaval pra mim é quase uma folha de pagamento por mês", comparou o prefeito.   "O carnaval é motivo de orgulho, de movimentação da economia, de mais recursos para a nossa rede hoteleira e para o setor turístico local, é motivo de comemoração. Mas a gente não pode esquecer que tudo isso tem um custo logístico de infraestrutura e quem banca isso é a prefeitura".   De acordo com João Henrique, os trios elétricos particulares, que faturam alto no carnaval, pagam uma taxa mínima para desfilar no Circuito Barra-Ondina, que conta com as apresentações dos gigantes do carnaval baiano como Ivete Sangalo, Asa de Águia e Chiclete com Banana. Já os trios chamados independentes, menores e resultantes de agremiações carnavalescas que desfilam no Campo Grande, não pagam nenhuma taxa. "Como eles tocam para o povão, a prefeitura é que paga a eles", destacou.

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