Na defesa, ministro complica antecessor

Orlando Silva diz que só atendeu policial e firmou primeiro convênio por orientação de Agnelo Queiroz, de quem era secretário executivo

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h04

O ministro do Esporte, Orlando Silva, jogou nas costas do antecessor, Agnelo Queiroz (PC do B), atual governador do Distrito Federal, a responsabilidade pela celebração de dois convênios da pasta com entidades comandadas por João Dias Ferreira. O policial militar acusa o ministro de receber propina em contratos celebrados no âmbito do programa Segundo Tempo. O ministro afirmou ontem que só recebeu o policial e firmou o primeiro convênio por orientação de Agnelo, de quem era secretário executivo.

"A única vez que encontrei este caluniador foi no Ministério do Esporte. Eu era secretário executivo do Agnelo, que me recomendou que o recebesse e firmasse o convênio", disse Orlando Silva, em entrevista coletiva. Destacou o fato de ser subordinado de Agnelo na época. "Ele era ministro, eu era só o secretário executivo." A versão do ministro foi contestada pelo policial em entrevista ao Estado (leia na A4).

A conversa com o policial teria acontecido entre o final de 2004 e o início de 2005. Os convênios com a associação de João Dias e a Federação Brasiliense de Kung Fu, presidida por ele, foram firmados em 2005 e 2006. Orlando Silva afirmou que o convênio foi celebrado pela "experiência da entidade" em um trabalho social na cidade de Sobradinho. Ressaltou ainda não ter sido encontrado pela equipe técnica da pasta qualquer problema relativo às entidades.

Após repassar a responsabilidade, Orlando disse acreditar que a ação de Agnelo tenha sido de "boa-fé". "O governador do Distrito Federal é pessoa correta. É uma pessoa bem-intencionada, defende o interesse publico. É uma pessoa que agiu de boa-fé. Acredito nas intenções, nas atitudes manifestadas por algumas pessoas. Quero acreditar nisso."

Procurada, a assessoria de Agnelo disse que o governador está em viagem e não poderia ser localizado.

O ministro atribuiu as acusações aos processos movidos pela pasta contra João Dias, como a tomada de contas especial em andamento no Tribunal de Contas da União (TCU).

Orlando tentou demonstrar tranquilidade em relação a sua permanência no cargo. Disse ter respaldo de seu partido, o PC do B, e do governo. "Tanto no partido quanto no governo, o que percebo é solidariedade e apoio para continuar meu trabalho." Afirmou que as denúncias não atrapalham sua atuação e destacou que a negociação com a Fifa sobre a Copa do Mundo é feita em nome de posições do governo e não apenas do ministério.

Confirmou ainda que não irá quinta-feira a Zurique, na Suíça, no evento do anúncio da sede da abertura da Copa do Mundo. Atribuiu a ausência ao desejo do governo de não manifestar preferência por alguma cidade.

Investigação. Buscando antecipar-se a iniciativas da oposição, Orlando pediu formalmente à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que o investigasse. Solicitou ainda à Comissão de Ética Pública da Presidência que pudesse apresentar pessoalmente suas explicações, como fará hoje em audiência de duas comissões da Câmara.

Orlando destacou que o ministério tomou uma decisão no mês passado de não firmar mais contratos com ONGs no programa Segundo Tempo. Questionado, porém, do fato de não haver nenhuma portaria formalizando a decisão, afirmou que isso poderá ser feito. Existem ainda 27 convênios com entidades, sendo que 16 têm término no final do ano.

O ministro ressaltou que os novos convênios não contemplarão recursos para a alimentação dos beneficiários, uma das áreas campeãs de fraudes.

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