Na estação, corre-corre, gente passando mal e ferida

Metrô viveu um dos momentos mais tensos desde a inauguração, em 74

Almir Leite, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

Corre-corre, gritos, choro, rostos assustados, desespero. Tombos, pessoas tropeçando uma nas outras, gente pisoteada, pessoas perdendo os pertences na correria - e se perdendo de seus acompanhantes. O metrô de São Paulo viveu um dos momentos mais tensos desde o início de sua operação comercial, em 1974. O pânico ocorreu na Sé, a maior estação, por causa de um assalto na região. A confusão terminou com dois passageiros e dois bandidos baleados. Dezenas de pessoas foram atendidas com crise nervosa e hipertensão. Os trens da Linha 1 (Azul) passaram sem parar na estação entre 13h09 e 13h27."Eu só ouvi um tiro e foi aquela correria. Não vi nada, pois os seguranças mandaram a gente entrar na loja (na estação há várias)??, disse o escrevente Roberto de Souza. "Foi feio.??Às 12h40, o sistema de segurança foi acionado e os trens das Linhas 1 e 3 pararam. Cerca de 15 minutos depois, a operação foi retomada, de forma precária, na Linha 1. Por volta das 13 horas, quem conseguiu desembarcar na Sé e tentou fazer a baldeação para a Linha 3, parada, encontrou a plataforma tomada. No sentido Itaquera, o acesso foi impedido pela polícia e seguranças. Na plataforma, um trem era revistado por pelo menos 25 PMs à procura do assaltante. Dezenas de outros policiais e seguranças do metrô ocupavam a estação.Com a plataforma sentido Barra Funda cheia, novo corre-corre, dessa vez motivado por uma discussão entre dois passageiros. Assustadas, as pessoas correram em direção às escadas rolantes que dão acesso à saída ou jogaram-se no chão. "Ai, meu Deus! Estou grávida!??, gritava chorando uma mulher, abaixada junto à parede.Na correria, alguns passaram mal, outros desmaiaram, como uma mulher de cerca de 60 anos, socorrida rapidamente pelos funcionários do metrô. "Eu estava do lado dela. Começou uma discussão, um empurra-empurra, e logo virou essa loucura??, disse a securitária Dirce Brasil. "Como havia muitos policiais, as pessoas devem ter pensado que o assaltante estava lá.?? O pânico geral levou o metrô a evacuar a estação.Do lado de fora, pessoas chorando, machucadas ou mancando foram assistidas por funcionários do metrô num espaço improvisado perto das catracas. O enfermeiro Paulo César Costa, que ia para o trabalho num posto de saúde da Prefeitura, ajudava passageiros.SEM CONTROLEGrávida de 6 meses, Gisele dos Reis, de 16 anos, foi uma das atendidas por ele. "Entre as Estações Parque D. Pedro e Sé o metrô parou. Algumas pessoas entraram em pânico e abriram as portas. Iam caminhar até a estação por aquela plataforma. Chegaram até a quebrar vidros das janelas." Ela perdeu o controle ao desembarcar na Sé no meio do corre-corre, com policiais tentando achar os assaltantes. "Aí, me desesperei.??

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