Celso Junior/AE-21-06-2011
Celso Junior/AE-21-06-2011

Na estreia, Ideli afasta risco de ser a nova 'garçonete'

No primeiro desafio, ministra ganha elogios de Dilma, que a pôs no lugar de Luiz Sérgio, apelidado jocosamente pela base de 'garçom'

João Domingos, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

Nomeada há pouco mais de 15 dias, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) passou no teste da coordenação política do governo, segundo avaliação de parlamentares da base aliada. Do início da semana até quinta-feira, ela foi testada à exaustão e se saiu bem no primeiro e difícil teste.

Correndo do Planalto ao Congresso, de lá para o Ministério da Fazenda e batendo várias vezes à porta da presidente Dilma Rousseff, ela conseguiu evitar a fama de "garçonete", como ocorreu com seu antecessor, Luiz Sérgio, que era conhecido como "garçom", por apenas anotar os pedidos dos aliados.

De acordo com informações de auxiliares da presidente, Dilma não queria prorrogar o prazo de pagamento das emendas parlamentares de 2009, que vencia no dia 30 de junho. Primeiro, porque considerava que dar mais tempo para a liberação de R$ 4,5 bilhões, quando o objetivo é economizar R$ 50 bilhões, seria um ataque ao ajuste fiscal. Segundo, porque ainda entende a pressão do Congresso como uma chantagem.

Coube a Ideli ouvir os resmungos de Dilma e as queixas dos deputados. E convencer a presidente de que era necessário atender os parlamentares, porque muitas obras em andamento seriam paralisadas para sempre.

Desde o início do governo, a reação de Dilma à expressão "restos a pagar" era de assustar, conforme narrativa de parlamentares que viram a forma como se portou quando o senador Wellington Dias (PT-PI) aproveitou um almoço para tocar no assunto. Quando Dias falou do dinheiro dos restos a pagar, ela cortou, botando as mãos na mesa e afastando a cadeira: "Não me venha com essa história, não me venha com essa história".

Quando assumiu a coordenação, Ideli ouviu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma advertência, também de assustar: "Você pegou o pior dos ministérios. Só tem problema, porque o Congresso quer tudo e você não tem como atender. Mas, ao mesmo tempo, o que os parlamentares pedem é justo. Então, preste atenção, porque você é uma ministra com prazo de validade".

Aos amigos, Ideli disse que só teria uma forma de provar que daria conta do recado: negociar com os parlamentares e com a presidente, sem medo de cara feia. Para tanto, bateria perna e gastaria a sola dos sapatos.

Experiência. Para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, Ideli saiu-se muito bem no seu mais duro teste. No Planalto, a presidente Dilma elogiou a tenacidade da ministra, a insistência em defender as emendas e, principalmente, em dizer que tirara de todos os líderes a concordância de que a prorrogação até 30 de setembro seria, de fato, a última.

Para o senador Jorge Viana (PT-AC), Ideli cumpre um papel que os ministros anteriores não tiveram condições de exercer, que é o conhecimento de como funciona o Senado. Os senadores não perdoam a falta de retorno de um telefonema. Gostam de tapinhas nas costas, sorrisos e cumprimentos efusivos.

Preocupação. Ideli chega ao Planalto por volta das 8 horas. Sai entre 22 horas e 23 horas. O tempo para cuidar da imagem é nenhum. E ela está preocupada com isso. Ela ouviu do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que neste cargo a pessoa envelhece, engorda e se separa. Ideli respondeu: "Não quero engordar mais, não quero separar e não quero envelhecer. Vou ter de conciliar tudo isso com a coordenação política".

Um jeito de manter a forma física ela acha que já encontrou. São as batidas de perna pra lá e pra cá. Para manter o casamento, pretende pedir compreensão ao marido. Falta encontrar a fórmula de não envelhecer.

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