Vanessa Carvalho/News Free
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Na fala, aceno a militares e à oposição

Presidente ressalta em seu discurso de posse a disposição de governar ''sem nenhum ressentimento nem nenhuma espécie de rancor''

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

No dia de sua posse, a presidente Dilma Rousseff procurou transmitir a mensagem que pretende governar "sem rancor". O recado foi dirigido não apenas para os partidos de oposição. Foi também, de forma mais simbólica, para os militares, já que Dilma assume o poder depois de ter sido presa pela ditadura militar por suas atividades políticas como guerrilheira.

O momento mais representativo desse gesto ocorreu quando Dilma passou as tropas militares em revista. Ao lado do comandante do Batalhão da Guarda Presidencial, coronel Elias Rodrigues Martins, ela caminhou diante da guarda de honra composta por integrantes das três Forças Armadas. Quebrando o protocolo, a presidente se afastou do coronel e partiu em direção às tropas perfiladas. Ao se aproximar, beijou uma bandeira do Brasil, procurando demonstrar seu amor ao País.

No seu discurso no Parlatório, Dilma repetiu a sinalização sobre sua disposição de conciliação. Ao mesmo tempo em que homenageou seus companheiros de guerrilha durante a ditadura militar, procurou demonstrar que não governará preocupada com o assunto.

"Não carrego, hoje, nenhum ressentimento nem nenhuma espécie de rancor. A minha geração veio para a política em busca da liberdade, num tempo de escuridão e medo. Pagamos o preço da nossa ousadia ajudando, entre outros, o País chegar até aqui. Aos companheiros meus que tombaram nessa caminhada, minha comovida homenagem e minha eterna lembrança", disse a presidente.

Adversários. O mesmo tipo de mensagem foi destinada para a oposição, com quem travou uma campanha eleitoral marcada por pesadas trocas de acusações.

"Uma mulher, uma importante líder indiana disse um dia que não se pode trocar um aperto de mão com os punhos fechados. Pois eu digo: minhas mãos vão estar abertas e estendidas para todos, desde os nossos aliados de primeira hora até aqueles que não nos acompanharam neste processo eleitoral", garantiu a presidente durante seu discurso do Parlatório.

"É com este espírito de união que eu assumo hoje o governo do meu País. Acredito e trabalharei para que estejamos todos unidos pelas mudanças necessárias na educação, na saúde, na segurança e, sobretudo, na luta para acabar com a pobreza, com a miséria", acrescentou.

Embate civilizado. Dilma disse que, apesar dessa disposição conciliatória, não pretende pedir que seus adversários deixem de fazer oposição.

"Não peço a ninguém que abdique de suas convicções. Buscarei o apoio, respeitarei a crítica. É o embate civilizado entre as ideias que move as grandes democracias como a nossa", afirmou a presidente.

Com uma extensa base de sustentação governista dentro do Congresso, a nova presidente nem precisaria desse movimento. Na Câmara dos Deputados e no Senado, terá o apoio de mais de três quintos dos parlamentares (60% do total), número suficiente para aprovar qualquer mudança na Constituição que ela deseje fazer.

O problema é que Dilma sabe que seus aliados poderão condicionar o apoio às propostas de interesse do governo ao atendimento de liberação de recursos e nomeações.

Além disso, Dilma também não tem o trânsito político que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha com deputados federais e senadores. Com isso, prefere garantir um bom relacionamento com a oposição para evitar complicações maiores.

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