Na festa de Alckmin, FHC comanda ataque a petistas e pede ''mãos limpas''

Sucessão. No mais duro discurso do ato de lançamento da pré-candidatura tucana ao governo de São Paulo, Fernando Henrique defende Brasil 'sem passa-moleque e sem corrupção'; Serra fustiga Dilma dizendo que 'governo não é curso de graduação'

Silvia Amorim e Moacir Assunção, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

 

A festa de lançamento da pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo paulista se transformou em palanque para o presidenciável José Serra e foi marcada por ataques aos petistas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comandou a ofensiva contra os adversários e disse que o Brasil precisa de "mãos limpas".

 

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    • "As obras do PSDB em São Paulo são visíveis. O Brasil precisa fazer tudo isso com lisura, decência, propriedade, sem passa-moleque, sem falsos leilões e sem corrupção", afirmou FHC. "Nós vamos eleger Serra e Alckmin porque eles têm compromisso e história. Vamos ganhar porque pelo Brasil é preciso ter um sentimento nacional ou então, sabe Deus, o que vamos ter pela frente, com esse passado tão cheio de compromissos com o que há de pior em matéria de falta de civilidade e decência na vida pública. Chega. Queremos o Brasil em mãos limpas."

      Serra assumiu o microfone em seguida e deu continuidade às críticas, fazendo referência indireta a uma suposta falta de preparo da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, para assumir o governo. "Uma das características nossas é trabalhar desde o primeiro dia", defendeu. "Governo não é curso de graduação, que a gente ganha e vai ficar aprendendo no governo aquilo que vai ter que fazer, enquanto as necessidades da população ficam sem atenção."

      Dossiês. O pronunciamento de Serra também incluiu críticas à ética dos adversários. "Outra questão fundamental é a prática da verdade, da transparência, da não engabelação do povo de São Paulo através da mídia, de talentos oratórios ou seja lá o que for", disse. "Não demonizamos a oposição. Para nós, são adversários, não inimigos. Não praticamos a truculência, não organizamos dossiês." Em 2006, petistas ligados ao atual pré-candidato do PT ao governo paulista, senador Aloizio Mercadante, foram acusados de tentar comprar material contra tucanos.

      A união do PSDB para esta eleição foi ressaltada em todos os discursos. "É da unidade que construímos aqui, e que hoje está no Brasil inteiro, que vamos construir a grande vitória para mudar e melhorar o Brasil", afirmou o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra. Patrocinador da pacificação do partido em São Paulo, Serra elogiou o comportamento de Alckmin. "É um homem de humildade na vitória e altivez na derrota. Não é homem de ressentimentos."

      Houve espaço ainda para discursos de alguns dos principais aliados do PSDB na disputa estadual. O presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, pré-candidato ao Senado, pediu explicitamente voto para Alckmin e Serra, apesar das recomendações da organização para se ter cuidado com a lei eleitoral. "Vamos votar no presidente Serra, no Alckmin", disse.

      Em dado momento o discurso da unidade soou exagerado. "Sempre estivemos ao seu lado", disse o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM) a Alckmin, embora ambos tenham sido adversários em 2008 na corrida pela prefeitura paulistana. O pré-candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, que disputou com Alckmin a indicação ao governo paulista, foi mais fiel ao passado. "As vicissitudes da política, às vezes, nos distanciam, mas agora estamos juntos."

      Parceria. Os tucanos defenderam a importância de uma parceria administrativa entre os governos paulista e federal. "Hoje voltamos a unir nossos esforços. Dessa vez, para promover e defender uma política de desenvolvimento que seja capaz de propiciar a São Paulo e ao Brasil a oportunidade de alcançar o futuro de grandeza e prosperidade", discursou Alckmin. "Vamos ter uma parceria de dar gosto. Vamos ter governo federal, governo estadual, prefeitura de São Paulo trabalhando pelo País e por São Paulo", afirmou Serra.

      Segundo a organização, o evento reuniu 5 mil pessoas. Ele custou entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. No evento, o DEM confirmou a indicação de Guilherme Afif Domingos para vice na chapa de Alckmin.

 

 

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