Na ''festa do adeus'', cigarro grátis

Casa faz balada para divulgar lei

Cristiane Bomfim, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

Na pista de dança da FunHouse, no bairro da Consolação, centro de São Paulo, o DJ Fabrício Miranda, de 30 anos, manuseia o equipamento de som com o cigarro entre os dedos. Os frequentadores acendem um cigarro após o outro - fornecidos gratuitamente pela casa noturna. A madrugada de quarta-feira foi a última vez em que Fabrício pôde trabalhar fumando e que os clientes da casa não precisaram se preocupar com a fiscalização. "Não vou mais poder fumar enquanto discoteco. Terei de me adaptar porque serei exemplo", conta o DJ, que tenta reduzir a quantidade de cigarros fumados na noite. "Antes, chegava a um maço. Agora, estou tentando parar no décimo", conta ele, que não pretende largar o vício. Com o tema "O último cigarro", a festa promovida pela casa noturna foi, de acordo com o gerente Evandro Lopes, uma maneira divertida de lembrar os clientes da restrição. Mas os fumantes dizem ainda não estar preparados para enfrentar a lei. "Não estou pronta para essa proibição. Acho que o direito de liberdade dos fumantes deveria ser respeitado. Eu sou viciada e estou aproveitando minhas últimas horas fumando um atrás do outro", afirma a relações-públicas Maria Clara Benvenuti, de 23 anos. Para ela e para a maioria dos fumantes, sair da balada ou abandonar a mesa do bar para ir à calçada dar uma tragada é um "desrespeito". "Muitas pessoas que frequentam bares e danceterias são fumantes e estão sendo prejudicadas", diz Maria Clara. Para escapar da vigilância, a saída será realizar festas e reuniões na casa dos amigos. "Vamos frequentar menos a noite. Não há outro jeito", afirma o jornalista Pedro Beck, de 24 anos. Outros fumantes pretendem burlar a lei. "Você pega um drinque e automaticamente acende um cigarro. Vai ser muito difícil me adaptar a essa proibição. Acho que vai ter muita gente indo fumar nos banheiros", comenta a estudante Ana Alice Ribeiro Simoni, de 20 anos, que não pretende parar. "Eu adoro a sensação de fumar." O gerente da FunHouse, Evandro Lopes, afirma que não será fácil controlar o vício dos frequentadores. "Vamos ficar de olho, mas nossos clientes são conscientes."

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