Na festa, senador é saudado como ''patrão''

Portaria de concessão de lavra foi assinada perante centenas de garimpeiros em Curionópolis

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

A concessão de lavra que permite à Colossus iniciar a exploração em Serra Pelada saiu em maio passado. A portaria foi assinada diante de centenas de garimpeiros reunidos em praça pública em Curionópolis, cidade vizinha ao garimpo. A solenidade se transformou num comício.

Lobão, que já não era mais ministro, estava lá, ao lado da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT). O atual ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, atribuiu ao antecessor o esforço pela reabertura da mina.

Gessé Simão, o atual presidente da cooperativa dos garimpeiros, agradeceu ao ex-ministro. "O senhor conhece, o senhor tem sido nosso patrão", disse. E Lobão faturou diante da pequena multidão: "Eu fui a dez ministros de Minas e Energia e não conseguia resolver o problema de vocês. Até que eu fui nomeado ministro. Chamei todo mundo e disse: "Agora, vamos resolver"."

O contrato com a Colossus havia sido aprovado três anos antes. À assembleia de garimpeiros que avalizou o negócio, em 2007, a empresa foi apresentada como uma gigante da mineração no Canadá. Até a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, a joint venture originada da associação da Coomigasp com a Colossus, não é exatamente o que se diz. De nova a empresa não tem nada. Ela foi aberta em 2001, com o nome de Caiçara Minérios e Participações. Seu proprietário, à época em que o contrato com a cooperativa foi assinado, era Pérsio Mandetta, geólogo com passagem pelo DNPM que participou da montagem do negócio com a Coomigasp e cuidou das tratativas com os dirigentes da cooperativa ligados a Lobão.

Como parte do acordo, a Colossus concordou em pagar as despesas operacionais da Coomigasp. Gessé diz que os repasses da empresa para a cooperativa têm sido regulares - e volumosos. Em entrevista gravada pelo Estado, ele afirmou que, só em abril, foram remetidos R$ 400 mil.

Documentos obtidos pelo Estado mostram que a administração do dinheiro beira a informalidade. Basta o pedido de um dirigente da cooperativa para que a liberação dos repasses. Há uma sequência de recibos datados de 2008 cujo total passa de R$ 1,2 milhão. Gessé é um dos destinatários dos recursos. Não há necessidade de prestação de contas.

Ninguém fala. Ao longo das duas últimas semanas, o Estado tentou falar com Lobão. Uma assessora afirmou que tentaria localizá-lo, mas até o fechamento desta reportagem ele não havia respondido ao contato. Mandetta não foi localizado nem em sua residência nem em seu suposto endereço comercial. O diretor-geral do DNPM, Miguel Nery, não quis dar entrevista. Por meio da assessoria, disse que o órgão se limitou a providenciar a tramitação dos processos.

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