''Na hora, achei que fosse um avião que tivesse caído''

Vizinho do mercado dormia quando escombros entraram pela janela

Jones Rossi, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Uma das pessoas feridas na explosão foi o proprietário do mercado, Antônio José da Silva, de 43 anos. Segundo ele, o estabelecimento explodiu ao chegar e acender a luz. Ele teve queimaduras no braço e escoriações no rosto. "Estou vivo não sei como." Dono do mercado há cinco anos, foi salvo por uma escada que segurou dois grandes blocos de concreto que caíram um sobre o outro, fazendo um triângulo. Silva ficou embaixo. "Quando percebi que estava bem, sem nada quebrado, levantei e saí de baixo. Nunca tive superstição contra escadas. Ela me salvou."Silva, após o acidente, estava acompanhado por um cliente, Geraldo Albino, de 51 anos, que teve apenas corte no supercílio, e pela funcionária Rosa Maria, que sofreu ferimento na coluna, mas não corria risco de perder os movimentos. Segundo o vizinho Fábio da Silva, morador da casa que teve as janelas quebradas, Rosa voou com o impacto da explosão. Ele viu quando os bombeiros chegaram e a imobilizaram.Albino estava dormindo quando os escombros entraram pela janela de sua casa. "Na hora achei que fosse um avião que tivesse caído, pelo tamanho do desastre. Saí para fora e vi duas pessoas pedindo ajuda (o casal Etelvi Inácio Caetano e Simone Gercino da Silva, que trabalhava na padaria localizada no subsolo do mercado, de frente para a casa de Fábio, e sofreu queimaduras de 2º grau). Não consegui ver mais nada por causa da poeira."Etelvi teve queimaduras em 55% do corpo, mas ontem seu quadro era estável e ela respirava sem aparelhos. Simone Gercino da Silva teve queimaduras em 65% do corpo e também apresentava quadro estável. Na casa dos fundos do mercado, onde o teto veio abaixo e parte das paredes cedeu, estavam Ana Cléa Rodrigues, de 22 anos, e sua mãe, Francisca Pereira, de 58. As duas sofreram ferimentos leves e tiveram alta ainda ontem.RECUPERAÇÃOAgora, Silva já pensa em como recuperar o mercado. "Moro há 20 e tantos anos em São Paulo. Trabalhei, estudei, montei o mercado. Nós vamos recuperar", assegurou. Ele relatou que, apesar de o estabelecimento estar em uma área pobre, contava com seguro. "Eles vão mandar um segurança aqui durante três dias para garantir que nada seja levado." Enquanto isso, a Guarda Civil também fará rondas no local.

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