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Na passarela, o Velho Chico de Ronaldo Fraga

Estilista se inspirou na paisagem do rio para compor vestidos em forma de saco, com estampas que trazem peixes, efeitos de rendas e escamas

Deborah Bresser, Valéria França e Márcio Oyama, O Estadao de S.Paulo

21 de junho de 2008 | 00h00

Coleções para todos os gostos marcaram o sábado na São Paulo Fashion Week. Romantismo com babados e plissados, modernismo de tecido tecnológico e viagens criativas com muito dourado. Mas o ponto alto do dia foi o desfile de Ronaldo Fraga, que se inspirou no Rio São Francisco. Cores de barcos e casas ribeirinhas, modelagens de sacos de juta, embalagens de especiarias surgiram em vestidos, saias e calças.No cenário, bacias de sal grosso remetiam ao mar que invadiu a foz, alterando a fauna, abalando a flora. De uma cortina de cordas, as modelos saíram com vestidos em forma de saco, com trabalhos de tapeçaria nos bordados. As estampas se sucedem com belas imagens de peixes, efeitos de rendas, escamas. Ronaldo faz o que chama de transposição de recortes e joga as cavas das mangas nas costas, transformando as peças em esculturas, quando vistas de frente. Criativa e certeira coleção de verão do estilista.Foi provocando que Amir Slama inaugurou ontem a sua linha masculina de beachwear. A Rosa Chá abriu o penúltimo desfile do dia com um modelo nu se banhando ao lado da passarela, depois de surgir com um microshort branco e se despir para a chuveirada.À trupe "testosterônica", coube vender moda cidade e praia para um leque democrático de homens. Microssungas, microshorts, muitos estampados com florais e tye-die, além dos confortáveis sungões, marcaram presença no desfile de estréia masculina da Rosa Chá. "Criar pela primeira vez uma coleção masculina foi como fazer o inverso do que sempre fiz. Sempre incluí looks masculinos nas coleções femininas. Desta vez, incluí alguns looks femininos na coleção masculina. Mas adorei. Só estranhei mesmo foi escolher o casting", brincou Amir Slama, estilista da marca.Com um espírito mais artesanal, Isabela Capeto também apostou em babados e plissados, mas partindo de outra referência: o México de Frida Kahlo, reconhecido nos bordados que lembravam os azulejos típicos da região e nas cores fortes.Jefferson Kulig apostou em tecidos tecnológicos. Roupas justas ao corpo valorizaram a alfaiataria do estilista. O visual mais marcante foi a calça skinny usada com túnicas, muitas vezes vazadas com um corte a laser, que desenhavam no tecido flores, entre outros motivos.O português Miguel Vieira criou um desfile baseado num sonho que teve. "Sonhei que estava com amigos num avião dourado, depois entramos numa limusine preta, e então seguimos para um hotel todo branco." O resultado foi uma coleção em três tons, branco, preto e muito dourado, principalmente nos modelitos masculinos. As mulheres de Vieira lembravam a personagem dos quadrinhos da década de 60, Valentina, de Guido Crepax.Já a Amapô mostrou que cresceu. Não quer mais ficar entre moderninhos viçosos que adoram uma mistureba insana de cores em moletons e túnicas. No verão desenhado por Carolina Gold e Pitty Taliani, os looks ganharam volumes com plissados e pregas.Wilson Ranieri apostou nas formas soltas do moulage. O estilista escolheu tecidos nobres como a seda e a viscose, mas, em vez da alfaiataria, preferiu imitar os efeitos mais estruturados com "dobraduras de papel". O efeito foi uma coleção suave, que caía, literalmente, sobre os ombros de fora das tops, em vestidos (ora mínis, ora na altura dos joelhos), em tons de romã, rosa, areia, shitake (pense em um marrom médio). Mesmo quando vermelhos, os looks esbanjam feminilidade em um verão suave e leve. Destaque para as alcinhas mais descontraídas que quebravam a seriedade de alguns looks. André Lima, por sua vez, abusou dos volumes. O estilista propôs exercícios de construção, com modelagem difícil de executar, o que comprova sua técnica apurada. Lembranças de origamis, nos ombros marcados, horizontais, e nos volumes que ultrapassam os limites do corpo.

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