Na PMA, o caminho para o emprego

Após cumprir medida, condenado foi contratado pela instituição

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

02 de maio de 2009 | 00h00

Edgard Sinonelli Martins, de 27 anos, poderia estar na cadeia. Ele foi condenado a 2 anos de prisão por porte ilegal de arma. Do crime de duplo homicídio, foi inocentado, após provar ter agido em legítima defesa quando dois assaltantes invadiram a sua casa e renderem a mulher e o filho, então com 7 meses. Diante das circunstâncias e por ser primário, o juiz entendeu que Martins poderia cumprir a pena em liberdade - a cela foi substituída por mil horas de prestação de serviços à comunidade (PSC). "São pessoas boas, que podem ter cometido um erro, mas não mereciam a prisão. É o trabalho que regenera, não a cadeia", diz a irmã Maria Jacinta Rossi, da Comunidade Educacional de Base Sítio Pinheirinho (Cebasp), que administra cinco centros educacionais comunitários, com creche, abrigo e núcleos para a juventude, além de cursos de panificação e informática, na zona leste. A entidade recebe condenados que cumprem penas alternativas. Atualmente, são 11.Entre eles está Edgard. "Eu era muito estressado, estourado. Aqui, aprendi que nem tudo se resolve assim. Hoje sou sereno", diz. Ele terminou de cumprir a pena em fevereiro e acabou contratado pela instituição para fazer a parte elétrica e hidráulica das unidades. "Quando vi que podia ser preso, pensei que a minha vida tinha acabado, que não veria mais meu filho. A cadeia só estraga. É a verdadeira escola da bandidagem. Já a pena alternativa me deu oportunidade."O mesmo ocorreu com J., de 29, e C., de 52, que pediram anonimato. Eles foram condenados por homicídio culposo, considerados culpados em acidentes de trânsito com vítimas fatais. "Aos 52 anos, nunca havia sido parado pela polícia", diz C., motorista de ônibus condenado a 3 anos de prisão, substituídos por 970 horas de PSC. "Eu não merecia estar preso."Evangélico, J. estava atrasado para o culto e dirigia em alta velocidade quando atropelou uma família - dos quatro atingidos, dois morreram. Foi condenado por duplo homicídio a 3 anos de prisão, substituídos por 1.167 horas de PSC, que cumpre até junho. "No fórum, tive medo. Achei que me apontariam como criminoso. Mas fui recebido como quem merecia uma chance", diz. Hoje, ele trabalha como educador na favela Vila Rosa, de segunda à sexta-feira. Aos domingos, cumpre pena no local. "Mudei em relação ao trânsito e uso o meu exemplo para ensinar outros." O descumprimento da pena alternativa implica na prisão do condenado, segundo Lúcia Helena Bibiano de Melo, diretora técnica de serviço da Central de Penas e Medidas de São Paulo, da Secretaria de Administração Penitenciária. Há quatro anos, havia apenas quatro centrais no Estado, hoje são 30. Encaminham, em média, 1.100 pessoas por mês.

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