Na Sapucaí, Cabral defende aposentadoria de coronéis da PM

Governador do Rio de Janeiro afirmou que encaminhará um projeto de lei com a medida à Assembléia

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 03h42

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) quer antecipar em dois anos a aposentaria de coronéis da Polícia Militar (PM) do Rio. Ele afirmou na noite desta segunda-feira, no sambódromo, que um projeto de lei com a medida será encaminhado à Assembléia Legislativa após o recesso parlamentar. Caso seja aprovado, pelo menos 30 dos atuais 70 coronéis da ativa iriam para a reserva. "Entendemos que seis anos é um tempo desnecessário. O Rio tem um número de coronéis maior que o de São Paulo. Isso é algo absolutamente incompreensível. A nossa proposta é fazer uma mensagem reduzindo de seis anos para quatro após o Carnaval", disse o governador. Segundo ele, outras questões estão sendo analisadas "por conta da necessidade de oxigenação da PM". A medida anunciada por Cabral, que na prática vai acelerar promoções, é mais uma represália ao movimento liderado por coronéis do Grupo dos Barbonos, que reivindica melhores salários na corporação. Em 29 de janeiro, o coronel Ubiratan Ângelo foi exonerado do comando-geral da PM, dois dias após uma passeata de policiais. Na quarta-feira, quando houve a posse do novo comandante, Gilson Pitta, 45 oficiais entregaram pedidos de exoneração. Na ocasião, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, também falou em "oxigenação" da PM.  Ele afirmou que pretendia fazer mudanças "estruturais e essenciais" na corporação e defendeu que "oficiais inferiores venham a ter a sua vez em cargos de frente". "Temos tenentes-coronéis, majores e capitães com excelentes condições", declarou. No sambódromo, ele manteve o discurso: "Tem muito oficial querendo trabalhar." Demagogia O governador atribuiu à demagogia e à irresponsabilidade política os deslizamentos de terra ocorridos na região serrana do Estado, que causaram pelo menos nove mortes. Ele ressalvou que o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, "é sério, mas não é mágico". Cerca de 300 famílias estão desalojadas. "A ocupação irregular nas encostas foi uma irresponsabilidade política. A demagogia é um princípio, e a utilização política disso gera esse tipo de acontecimento. Acho que o problema tem de ser enfrentado com remoções com a oferta de moradia, sem paternalismo. Foi a demagogia que levou a essa situação." Cabral disse que o presidente Lula desistiu de assistir ao desfile das escolas de samba do Rio porque estava cansado. "Estou muito feliz com a presença do Fábio e do Sandro (filhos de Lula), da família, além de ministros e presidentes de empresas importantes. O presidente me disse que está muito cansado. Ele e a Dona Marisa quiseram dar uma relaxada, jogar um buraco. E lá no Guarujá ele está bem tranqüilo. Para eles, nessa batida, é um bom momento para descansar e para relaxar. Acredito que ele (Lula) está bem representado aqui no desfile." José Gomes Temporão, ministro da Saúde, e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, assistiram aos dois dias de desfiles do camarote do governador.

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