Na tela do cinema, o paraíso da impunidade

Desde o clássico Interlúdio (Notorious), que Alfred Hitchcock lançou em 1946, até nos recentes Inimigos Públicos, de Michael Mann, e Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, de Sidney Lumet, o Brasil - mais especificamente o Rio - é apontado como a meta de fuga predileta dos criminosos internacionais. É um dentre os muitos clichês sobre o país da impunidade que frequentam o imaginário de Hollywood.

Lauro Lisboa Garcia, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Esses estereótipos foram tema do livro O Brasil dos Gringos: Imagens no Cinema (2000), do professor Tunico Amâncio. Baseado nele, a diretora Lucia Murat realizou, em 2005, o documentário Olhar Estrangeiro, no qual, entre outros tópicos, apontou mais de 40 filmes em que criminosos de toda espécie fogem para o Brasil.

A realidade confirma a ficção: foi para cá que o inglês Ronald Biggs, assaltante do trem pagador que também virou filme, fugiu e virou celebridade. Foi aqui que o mafioso Tommaso Buscetta e o megatraficante Juan Carlos Abadía, entre outros, procuraram refúgio...

O cinema de corte mais nobre reforça o estereótipo tratando a bandidagem com glamour. Em Interlúdio, o par romântico é interpretado por Cary Grant e Ingrid Bergman e os criminosos em questão são nazistas. Em O Mistério da Torre (1951), de Charles Crichton, o bandido é interpretado por Alec Guinness, que troca a vidinha de caixa de banco por uma vidona de marajá no Rio, após roubar uma fortuna. O Homem do Rio (1964), de Phillipe de Broca, tem Jean-Paul Belmondo e Françoise Dorléac como protagonistas, e bandidos em profusão na Cidade Maravilhosa. Em outro clássico de espionagem, 007 Contra o Foguete da Morte (1979), James Bond (Roger Moore) protagoniza até uma daquelas inacreditáveis sequências de luta da série, enfrentando inimigos do mal em pleno bondinho do Pão de Açúcar.

Um Dia a Casa Cai (1986), de Richard Benjamin, e Sádica Perseguição (1994), de Mark Lester, são dois de outros títulos em que a Terra Brasilis surge como solução para foragidos da lei. Curiosamente, Alpha Dog (2006), baseado em fatos reais, poupa o Brasil ao cometer um erro histórico. No filme de Nick Cassavetes, o assassino Johnny Truelove (interpretado por Emile Hirsch) é preso no Paraguai, quando na verdade foi capturado em Saquarema, no litoral do Rio, em 2005.

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