Helia Scheppa/JC Imagem
Helia Scheppa/JC Imagem

Na terra natal, choro e aliados

Lula chora e rasga autoelogios em seu último compromisso como presidente em Pernambuco

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

A voz embargou e as lágrimas encheram os olhos em dois momentos do discurso de despedida. Em sua terra natal, a quatro dias do fim do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se poupou de autoelogios e inflamou uma plateia formada por empresários, políticos locais e, principalmente, operários, nas obras do complexo industrial e portuário de Suape, no litoral sul de Pernambuco.

"Saio da Presidência e o legado mais importante que eu quero deixar é que vocês podem chegar lá. Eu cheguei e vocês podem", disse, dirigindo-se aos operários. "É só vocês teimarem e lutarem que vocês podem mudar a história desse País, definitivamente."

A solenidade marcou o lançamento da pedra fundamental da fábrica de automóveis da Fiat, que entrará em operação em três anos. "Não poderia deixar de vir a Pernambuco faltando poucos dias para o fim do meu mandato."

O choro teve de ser contido quando ele lembrou o passado de retirante e citou as dificuldades das crianças nordestinas, mas chorou no fim do discurso, ao agradecer aos pernambucanos pela reeleição em primeiro turno o governador Eduardo Campos (PSB), um dos seus principais aliados na região.

Empolgado, Lula se autonomeou como o presidente "que mais trabalhou na história do País", ostentou alguns bons resultados da economia e garantiu ter sido o político "que mais lutou pela liberdade de imprensa".

Ao declarar que o Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2016, disse que foi no governo do "torneiro mecânico socialista e sem diploma de nível superior" que houve a maior operação de capitalização da história do capitalismo mundial.

À noite, em Recife, voltou a citar Campos, que foi comparado a um diamante que não se encontra todo dia. "Um mestre, um menino que ainda vai ter futuro neste país."

Com a faixa da Ordem do Mérito dos Guararapes, recebida do governador, brincou dizendo que, ao passar a faixa presidencial para Dilma, permanecerá com a faixa pernambucana. O presidente voltou a chorar na festa de despedida na praça do Marco Zero, que contou com repentistas, violeiros e forrozeiros. / COLABOROU ANGELA LACERDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.