Na TV, Lula faz balanço de seu governo

No último pronunciamento em rede nacional, presidente exaltou obras de seu mandato, alfinetou antecessores e pediu apoio a Dilma Rousseff

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem o seu último pronunciamento em rede nacional virar um balanço dos oito anos de mandato, com alfinetadas a antecessores e mensagem de apoio a sua sucessora, Dilma Rousseff. "Saio do governo para viver a vida das ruas", disse, numa referência a Getúlio Vargas, que afirmou na carta de testamento sair da vida para entrar na história.

"Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar o meu destino e jamais fugir à luta", continuou no pronunciamento que se estendeu por mais de 10 minutos. "Não me perguntem sobre o meu futuro, porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil e acreditem nele, porque temos motivos de sobra para isso."

Lula aproveitou a ocasião para exaltar sua sucessora. "Tenho certeza de que Dilma será uma presidenta à altura deste novo Brasil, que respeita seu povo e é respeitado pelo mundo."

Também pediu que a população a apoie, assim como o apoiou "em todos os momentos". Em crítica aos antecessores, disse que seu governo afugentou "a onda de fracasso que pairava sobre o País". "Se governamos bem, foi, principalmente, porque conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande País governassem apenas para um terço da população."

Afirmou que hoje o brasileiro "acredita mais no seu País e em si mesmo" e que o País tem "um encontro marcado com o sucesso". Não economizou ao citar números. Falou em ganho real do salário mínimo em 67%; disse que a oferta de crédito alcançou 48% do PIB em 2010; celebrou o fato de o Luz Para Todos levar, segundo ele, energia elétrica a 2,6 milhões de pequenas propriedades; comemorou os bilhões de dólares de reservas internacionais; destacou o "crescimento recorde de quase 8%" e a geração de 15 milhões de empregos.

O pré-sal foi louvado como "passaporte para o futuro" e o fim da dívida externa também foi citado. "Zeramos nossa dívida com o Fundo Monetário Internacional e agora é o Brasil que em dinheiro ao FMI."

Lembrou ainda que o Brasil, acima de tudo, cuida das pessoas, em especial das pessoas mais pobres. "Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias. Mais que nunca, sou um homem de uma só causa e esta causa se chama Brasil."

DEM. Em entrevista por e-mail ao site "Porradão de 20", do fundador da Central Única de Favelas (Cufa), Celso de Athayde, Lula voltou a dizer que pretende "estudar" o mensalão para "entender o que realmente aconteceu" e voltou a criticar o DEM ao afirmar que o partido tem "a ditadura no seu DNA" e, em 2005 - ano do mensalão - tentou ganhar a eleição no "tapetão". "É sempre assim: partido que não tem apoio do eleitorado, apela."

Perguntado se ainda acreditava que o DEM precisava ser "extirpado da política brasileira", como dissera em setembro, o presidente reconheceu que foi um momento de "arroubo, de exaltação" que não deveria ter acontecido. "O partido deve continuar concorrendo, desde que se limite à disputa dentro das regras da democracia, esquecendo o seu passado ditatorial, se é que seus dirigentes vão conseguir."

O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), rebateu as críticas. "O presidente Lula critica o DEM porque ele não nos perdoa por termos barrado seu projeto Chavista de poder", disse, referindo-se à derrota na CPMF, articulada principalmente pela bancada de senadores do partido.

"Não tenho dúvida que depois disso viria a tentativa de aprovação do terceiro mandato presidencial e depois levaria adiante as propostas que estabelecem controle sobre a mídia. Era um claro projeto Chavista." / COLABOROU MARCELO DE MORAES

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