Na TV, Serra reage a Lula e cobra de Dilma explicação sobre quebra de sigilo

Em resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, usou seu programa no horário eleitoral gratuito de ontem para criticar o governo federal e dizer que a adversária Dilma Rousseff (PT) "se esconde atrás de ministros e do presidente da República", no episódio sobre a quebra de sigilo fiscal de seus familiares.

Ivan Fávero e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

O tucano, no entanto, evitou bater boca diretamente com Lula, função delegada internamente a outros integrantes da campanha. Não mencionou o nome do presidente, mas atacou explicitamente o PT. Candidatos a deputado pelo PSDB foram convocados no começo da semana para gravar no estúdio da campanha de Serra comentários sobre o caso, levados ao ar também ontem.

"A pessoa que deve explicações ao Brasil se esconde atrás de ministros e até do presidente da República", disse o tucano, referindo-se a Dilma, sem mencionar o nome da adversária. Serra gravou o programa na madrugada de ontem, depois de deixar o debate promovido pelo Estado e pela TV Gazeta. Ainda não há consenso na campanha se ele deve usar o programa para criticar Lula de forma mais incisiva.

Políticos do PSDB foram escalados para rebater as declarações feitas pelo presidente na terça-feira, quando apareceu no programa de Dilma para atacar o tucano por relacionar as quebras de sigilo com a campanha petista. Painel com foto de Serra no local onde o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), concedeu entrevistas para comentar o episódio chegou a ser coberto por integrantes da campanha.

Na TV, Serra retomou o termo "indignado", desta vez a respeito da quebra de sigilo fiscal do genro, Alexandre Bourgeois. "Ninguém pode achar natural os abusos que estão ocorrendo nesta eleição", disse. "Esses crimes no fundo não são contra mim ou minha campanha, não. São contra o Brasil, contra a Constituição e os eleitores."

O presidenciável afirmou que os suspeitos de cometer os crimes são ligados ao PT e o que se viu até agora foram "deboches", tanto por parte da campanha petista quanto do governo. Cerca de 38% do tempo da propaganda vespertina de Serra foi destinado a rebater as críticas feitas por Lula. À noite, o tucano preferiu usar somente 14% de seu tempo para essa finalidade. Repetiu apenas a parte em que se diz "indignado" com as violações fiscais de seu genro e que Dilma se esconde.

No programa da tarde, o candidato disse que, se for eleito, não permitirá a quebra de sigilo dos cidadãos e aproveitou para atacar as ações tomadas pelo governo federal na política externa.

"O meu governo não vai ficar de amores com países que não respeitam a liberdade, a democracia, os direitos da mulheres, os direitos humanos e nem com os que fazem corpo mole com o contrabando de drogas e de crack", disse. A pouco menos de um mês da eleição, Serra afirmou que "vai correr muita água por debaixo da ponte" e que "tem gente sentando na cadeira" antes do resultado das urnas. Dos oito candidatos a deputado que apareceram no programa tucano da tarde, metade mencionou diretamente as violações fiscais.

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