Na última hora, Serra cede ao DEM e aceita vice vinculado a Cesar Maia

O nome que valerá três minutos a mais no programa eleitoral do tucano no rádio e na televisão é o do deputado federal Antônio Índio da Costa (RJ); se não houvesse acordo até meia-noite de ontem, candidato à Presidência teria apoio apenas do PPS e PTB

Christiane Samarco, Eugênia Lopes, Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

 

 

 

 

Fim da novela. O senador Álvaro Dias (no fundo, à esq.) observa Serra e seu vice, Índio da Costa, após a convenção do DEM

 

 

 

   

Sob pressão do DEM e diante do risco de desmonte da própria candidatura presidencial, o PSDB entregou ontem, ao partido aliado, o posto de vice-presidente na chapa do tucano José Serra. O nome que valerá 3 minutos a mais no rádio e na TV para Serra é o do deputado Antonio Índio da Costa (RJ), ligado ao grupo político do ex-prefeito do Rio Cesar Maia.    

 

 

 

 

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O acordo se concretizou no prazo-limite permitido pela Lei Eleitoral. Foi o desfecho de seis dias de crise aberta com a escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para o posto de vice de Serra. O nome de Dias foi imediatamente rejeitado pelo DEM, que ameaçou não consumar a aliança com o PSDB.

Se não houvesse entendimento até meia-noite de ontem, Serra teria de disputar a eleição contra a petista Dilma Rousseff apoiado apenas por PPS e PTB, além do próprio PSDB. Houve o consenso de que isso seria praticamente uma sentença de morte para a candidatura, já que as alianças regionais se desmantelariam e o tempo de propaganda na televisão ficaria reduzido à metade dos minutos que Dilma terá à disposição.

Foi a consciência desse quadro político que fez Serra, pessoalmente, reabrir a conversa com o DEM e rever a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga de vice.

Em uma demonstração de que a aliança estava pacificada, Serra desembarcou ontem, no início da noite, na convenção do DEM, em Brasília, para abençoar o vice. Anunciou Índio da Costa como um "político da nova geração" e "peça fundamental" na aprovação da Lei da Ficha Limpa. "Apresentamos aqui uma novidade que é um sinal de renovação e esperança para o nosso Brasil", disse Serra. Antes de optar por Índio, Serra analisou duas outras opções do DEM, a vice-presidente do partido, Valéria Pires Franco, do Pará, e o ex-ministro Carlos Melles, de Minas.

Agenda. Com a chapa montada, a ideia da coordenação de campanha de Serra é mudar imediatamente de agenda. Esquecer o conflito entre os dois partidos e trabalhar para somar ao tucano características positivas trazidas por Índio para a campanha. O vice facilitará o discurso que pretende usar de contrapor sua campanha de "fichas limpas" à de um governo que supostamente tolera desvios éticos de aliados. "O Serra estava entusiasmadíssimo com o Índio, com o perfil dele associado ao Ficha Limpa", contou o ex-governador de Minas Aécio Neves, que passou a madrugada em São Paulo, reunido com o presidenciável.

Já fez parte dessa estratégia o tom do discurso de estreia de Índio durante a convenção do DEM. Sob aplausos dos convencionais do partido, o escolhido criticou o inchaço da máquina pública e acusou Lula de "tratar mal os servidores públicos".

Pouco conhecido do cenário político, ele atendeu a requisitos importantes para Serra: representa algo novo e é jovem na política. Além disso, a escolha poderia ajudá-lo a colher votos no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do País e onde sua candidatura vinha perdendo apoio.

A escolha de Índio também serviu de estímulo para que o DEM recuperasse a vontade de fazer campanha a favor de Serra. Depois que o tucano sinalizou com o veto à presença de um integrante do DEM na sua chapa, o partido se preparou para o desembarque da candidatura presidencial. Considerou que tinha sido humilhado pelos antigos parceiros do governo Fernando Henrique Cardoso e de oposição ao governo Lula.

Trânsito. Índio é um político com trânsito nas principais alas do DEM. Mesmo tendo sua origem política ligada a Cesar Maia, é um dos parlamentares mais próximos do líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC).

Índio não fazia parte da primeira lista de "candidatos" do DEM para formar chapa com Serra. A lista tríplice original era formada pelos deputados José Carlos Aleluia (BA), Carlos Melles (MG) e pela vice-presidente do DEM Valéria Pires Franco (PA). O tucano acabou preferindo Índio. "Confesso que foi uma surpresa para vocês e para mim também", admitiu o escolhido, ao se apresentar como candidato a vice na convenção do DEM que aprovou a coligação com Serra.

 

 

 

 

 

 

 

 

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