Na última trincheira, Heloisa

Em poucos minutos, a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL) critica o "propinódromo da base de bajulação do governo", "as relações promíscuas entre Executivo e Legislativo", "a vigarice do processo eleitoral" e a "matemática vil eleitoralista" imposta pelo atual sistema político.

, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Asmática, Heloisa Helena continua falando rápido e em tom estridente, mesmo fora da TV, onde tem apenas 40 segundos para deixar seu recado. Seu discurso típico lhe rendeu o cruel apelido de "Vuvuzela" entre os adversários.

Sem nenhum apoio político e atacada por todos os lados, ela é uma espécie de milagre eleitoral e tem chances reais de se eleger senadora. Na pesquisa Ibope/TV Gazeta divulgada dia 14 de setembro, Heloisa caíra para a segunda colocação, com 41% das intenções de voto, perdendo para Renan Calheiros (PMDB), que lidera a disputa com 54%. Em terceiro lugar está o Biu, Benedito de Lyra (PP), com 35%.

Heloisa sofre o bombardeio do mais forte cabo eleitoral do Nordeste. O presidente Lula gravou pedidos de apoio para Renan, desde o início da campanha, e na semana passada também gravou para Biu, coligado com o PSDB.

"Fazer política é um exercício de superação. Será um milagre, misturado com generosidade do povo, liberdade e rebeldia, se eu ganhar", admite a candidata, que também já disputou a Presidência da República e foi expulsa do PT.

Avessa à imprensa, que no Estado é dominada por grupos políticos rivais, Heloisa Helena conta que poderia ter mudado o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro, onde teve votação expressiva como candidata a presidente. "Mas eu quis ficar aqui para provar que esse Estado não é um curral eleitoral", disse.

"Arretada", Heloisa reage com indignação diante das propagandas eleitorais contra ela. "Até o presidente está contra", desabafa. Na TV, os adversários mostram o candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, dizendo-se favorável à legalização da maconha. Em seguida, associam Heloisa à ideia. "Só tenho briga no PSOL por ser contra a legalização, e agora veem com mais essa", reage.

A candidata disse que pegou empréstimo no banco para fazer a campanha, estimada em R$ 100 mil. Viaja para o interior em seu próprio carro, um Fiesta prata, modelo antigo. "E eles de helicóptero", compara.

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