Na Vila Olímpia, danceterias desapareceram

Faturamento na Vila Madalena caiu 40%; em 3 anos, 189 casas foram fechadas na capital pelos fiscais do Psiu

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

A Prefeitura calcula que São Paulo tenha cerca de 10 mil bares e botecos, número cinco vezes maior do que o do Rio e quatro vezes o de Nova York. Em três anos de operação do Programa de Silêncio Urbano (Psiu), 189 desses endereços já foram fechados pelos agentes públicos - a maioria em bairros da região central e na zona oeste, não na periferia. E as vistorias continuam.Só na Vila Madalena, entre janeiro e setembro deste ano, 21 bares e danceterias foram interditados. A pressão para que o bares tirem as mesas da calçada e não façam barulho depois da 1 hora fez o faturamento cair até 40%, segundo o empresário Flávio Pires, presidente da Associação de Gastronomia, Entretenimento, Arte e Cultura. A Vila Olímpia vive dias ainda piores. Se quatro anos atrás havia cerca de 3 mil estabelecimentos cadastrados na Prefeitura, entre lojas, bares e restaurantes, hoje o número não passa de mil. Sem opções na noite, é comum ver lanchonetes como Burger King, Black Dog e Joakin''''s lotadas madrugada adentro.Atualmente, as únicas casas noturnas de grande porte que ainda fazem muito sucesso e não recebem reclamações são aquelas que ficam na região central (como a Royal ou o Vegas) ou na zona oeste (no caso, a D-Edge, na Barra Funda, e a Pacha, na Vila Leopoldina). ''''A noite de São Paulo necessita imediatamente de uma reforma'''', diz o advogado Percival Maricato, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).''''O problema não são os estabelecimentos, mas sim o planejamento urbano da cidade. O barulho do trânsito não é culpa do sucesso de uma casa noturna, mas sim do sistema viário. Há 20 anos, eu falo da necessidade de ter áreas privilegiadas em alguns bairros onde os bares e danceterias poderiam ter regras mais flexíveis. Como ninguém investiu nisso, o principal atrativo turístico de São Paulo corre o risco de definhar'''', afirma Maricato.

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