Na zona sul, 4 shoppings tiveram problemas

Ibirapuera e Santa Cruz ficaram sem luz e Market Place e Morumbi, ilhados

FELIPE GRANDIN, MARCELO GODOY, MARCELO FENERICH e PAULO JUSTUS, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

As regiões mais atingidas pelo temporal de ontem à tarde foram as zonas sul e norte de São Paulo. "Foi uma chuva típica de verão: concentrada e rápida", explicou o meteorologista Adilson Nazário, do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). "A cidade não suporta uma chuva tão forte, principalmente as áreas mais impermeabilizadas ou com córregos de pouca vazão." Às vésperas do Natal, pelo menos quatro shoppings da zona sul tiveram problemas. Market Place e Morumbi ficaram ilhados, enquanto Ibirapuera e Metrô Santa Cruz tiveram falta de luz. Na Avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, muitos carros foram levados pela enchente e tiveram perda total. Já na Avenida Roque Petroni Junior, também no Brooklin, quem conseguiu entrar no pátio da churrascaria South Place salvou seu carro. Cerca de 50 motoristas fizeram a manobra antes que a água cobrisse seus veículos. "Tem muita gente que abandonou o carro na avenida", afirmou a operadora de caixa Cristiane da Silva, de 25 anos. A churrascaria, que tem 550 lugares, estava com cerca de 10% deles ocupados quando a chuva começou. "Todo mundo ficou preso aqui. Não havia como sair", disse a caixa. Os funcionários que entrariam à tarde também não conseguiram chegar. No ano passado, foi a mesma coisa. A chuva alagou a avenida, isolando o lugar.Em pior situação ficaram os passageiros de um ônibus na Rua Chafic Maluf, próximo dali. Apesar da ação rápida dos bombeiros, não foi possível resgatar todos os passageiros antes que a água alcançasse os vidros do coletivo. O motorista e alguns passageiros tiveram de subir no teto e acenar para pedir ajuda.A enchente que atingiu os dois lados da Ponte do Morumbi e dezenas de ruas no entorno prejudicou o trânsito em toda a zona sul. A Marginal do Pinheiros apresentava a pior fila de engarrafamento da cidade, às 18h20: 9,3 km na pista expressa, no sentido Interlagos, da Rodovia Castelo Branco até a Ponte Cidade Jardim. Para se ter idéia, o corredor norte-sul (formado pelas Avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães e normalmente mais movimentado no horário) estava congestionado por 8,7 km no sentido do Aeroporto de Congonhas e por 7,2 km no sentido Santana. SALGADINHOSEra a última entrega do dia. Danilo Santos de Souza, de 20 anos, estava na Berrini levando no Corsa 97 vermelho os salgadinhos feitos pela mãe quando a água começou a subir. Avançou com o carro para uma parte mais alta da calçada na tentativa de escapar. "Não achava que ia chover tanto e nem percebi direito o nível da água, porque os vidros estavam embaçados." Em 20 minutos, a água da chuva já batia na porta do veículo. Foi quando percebeu que a situação era grave. "Tentei dar a partida e colocar o carro mais no alto, mas ele já não pegou", disse. A solução foi sair dali e ver o veículo ser inundado na frente da portaria de um prédio vizinho ao Teatro Vivo.Duas horas depois, quando o pior já havia passado, Souza tentou novamente dar a partida. Nada. "O carro está quebrado e os produtos estragados, não sei o que vou fazer agora", lamentava, enquanto ajudava a guinchar o veículo. Mesmo enlameado, ainda tinha de concluir o trabalho. "Esse é o nosso melhor cliente, não posso deixar de entregar para ele", disse. Perto dali, boiava um pára-choque sem veículo. A placa já havia perdido a cidade de origem, só restavam os números. No fim da tarde, cenas como essa eram comuns na região. Só restavam os vestígios da tormenta: o trânsito lento, as ruas enlameadas e o lixo que, levado pela água, invadiu as calçadas.

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