Namorada de Ubiratan depõe pelo terceiro dia consecutivo

A advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 39 anos, namorada do coronel da reserva e deputado estadual (PTB) Ubiratan Guimarães, 63 anos, encontrado morto na noite de domingo, 10, será ouvida pelo terceiro dia consecutivo no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta quarta-feira, 13, na Rua Brigadeiro Tobias, no centro de São Paulo. O novo depoimento deve ser iniciado às 15 horas. Nesta terça-feira, 12, a advogada, que seria umas das principais suspeitas do crime, foi ouvida por mais de 13 horas e negou mais uma vez, como no dia anterior em depoimento informal, ter matado o coronel. Disse que amava o namorado e que não teria motivos para matá-lo. Durante o depoimento, Carla entregou uma lista com o nome de dez supostos inimigos do coronel, que teriam interesse em sua morte. Na relação está o nome de um coronel identificado apenas por Gérson, que seria chefe de seu comitê eleitoral.O delegado Armando de Oliveira Costa Filho, que acompanhou o depoimento de Carla, após as declarações da advogada, se negou a comentar as investigações e disse apenas que ela depôs na condição de "testemunha".O promotor Carlos Roberto Marangone Talarico disse que a advogada "deu detalhes reveladores para a investigação", mas também se negou a comentar que tipo de detalhes ela teria fornecido durante o depoimento.Carla também entregou notas fiscais de objetos que tinha comprado a pedido de Ubiratan: dois pares de sapatos adquiridos especialmente para a campanha eleitoral, a troca das fechaduras do apartamento dele, e o presente para uma funcionária do deputado que acabou de dar à luz. As notas ficais foram apresentadas para mostrar que o namoro estava firme e de que a relação do casal era boa. Calça lavadaA calça verde escura que Carla usava na noite do assassinato do coronel foi lavada antes de ser entregue à polícia. Ao contrário do divulgado inicialmente, Carla não entregou as roupas espontaneamente. O delegado Armando de Oliveira da Costa Filho, chefe da Divisão de Homicídios, afirmou que os investigadores tiveram de buscar as peças na casa da advogada.Além da calça, os policiais levaram ainda a blusa e a jaqueta de couro pretas, sapatos e bolsa que a advogada disse que usava no dia do crime. As roupas foram apreendidas porque Carla não se submeteu ao exame residuográfico, aquele que permite confirmar se uma pessoa atirou. ?Não requisitamos essa análise porque já havia passado mais de 36 horas do momento do crime e seria inconclusivo. Esse tipo de exame só apresenta resultados até 8 horas depois do disparo?, disse o delegado. Apesar disso técnicos do Instituto de Criminalística (IC) informaram que o exame residuográfico pode ser feito até uma semana após o crime, pois os vestígios de metais ficam impregnados na pele por longo período.Apesar da calça ter sido lavada, peritos do IC garantem que isso não deverá atrapalhar o exame metalográfico (que busca vestígios de chumbo, lítio, enxofre e antimônio, entre outras substâncias), que não seriam removidas com uma simples lavagem.

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