Nanicos compensam tempo curto na TV com a internet

Com minutos contados no horário eleitoral, candidatos convidam eleitores para saber mais em seus sites

, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2010 | 00h00

José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria (PSTU) estão em extremidades opostas do espectro ideológico, mas adotaram estratégia idêntica no horário eleitoral gratuito. Com exíguos 55 segundos na TV, ambos os candidatos à Presidência usam os filmetes para convidar os telespectadores a visitar seus sites. A ideia é exportar para a internet o que lhes falta tempo para fazer na televisão: detalhar propostas para conquistar o eleitor.

O roteiro também é semelhante. Os candidatos surgem rapidamente, abordam de forma genérica algum tema e, pouco depois, chamam o eleitor a ver mais sobre o assunto na internet. Mas, enquanto o candidato do PSTU apresenta uma série de vídeos gravados, Eymael dialoga ao vivo, por meio de videoconferência, com seus eleitores.

As aparições serão sempre às terças-feiras à noite, logo depois do programa na TV - "para não engessar a agenda", segundo o candidato. A primeira experiência, na semana passada, atraiu 2.165 internautas. Pareceria pouco para os líderes na corrida presidencial. Eymael, porém, afirma que superou as expectativas. "Tem o fenômeno do retweet (quando usuários do Twitter passam adiante uma mensagem). Você nunca sabe onde essa rede acaba", diz o candidato.

Zé Maria é menos otimista. Para ele, a internet "ajuda, mas nada substitui a TV". O candidato afirma não ter como medir o número de acessos em seu site desde o início do horário eleitoral.

O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, ainda não recorreu à mesma estratégia, mas promete adotá-la nos próximos programas. Ele tem um minuto no horário televisivo. Na semana passada, o socialista causou celeuma no Twitter ao comentar ao vivo, pela webcam, um debate presidencial online para o qual não foi chamado. Mesmo ausente, foi um dos assuntos mais abordados no microblog.

Com o marketing da campanha coordenado por Duda Mendonça, o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf (PSB) - que disputa o governo de São Paulo - também recorreu à internet para compensar o nanismo eletrônico. Ele entra ao vivo, em seu site, logo depois do horário na TV. O primeiro bate-papo contabilizou 1.667 visitantes.

Para o consultor político Lucas Copelli, sócio-diretor da Vallua Consultoria de Gestão, o alcance da medida é limitado. "Só vão entrar no site, buscar mais informações, aqueles eleitores que já têm simpatia pelo candidato", opina.

Ele afirma que a web funciona como ferramenta para mobilizar a militância, não para conquistar eleitores. "A internet serve para armar a militância, fazer com que seu eleitor vire seu advogado", diz.

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