Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Não adianta regular tempo da criança no videogame, mas ficar no Netflix ou Instagram'

Para especialista da PUC-SP, pais devem dar o exemplo no uso adequado de tecnologias, controlando o tempo que passam na internet

Entrevista com

Ivelise Fortim, coordenadora do Laboratório de Psicologia e Tecnologias de Informação e Comunicação da PUC-SP

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2020 | 10h00

SÃO PAULO - A proibição na semana passada do game Fortnite por escolas no Kentucky, nos Estados Unidos, reacendeu a discussão sobre a influência dos jogos eletrônicos, principalmente aqueles conteúdos violentos, no comportamento das crianças. As famílias também tentam controlar o tempo gasto pelos filhos na frente das telas. 

Segundo a especialista Ivelise Fortim, coordenadora do Laboratório de Psicologia e Tecnologias de Informação e Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é preciso que os pais fiquem atentos ao comportamento das crianças, para entender quando há excessos, e também dar o bom exemplo. Ela está preparando uma cartilha em parceria com a Safernet, associação que promove e defende os direitos humanos na internet no Brasil.

1. Como identificar se a criança está passando do limite no uso do videogame?

Isso acontece quando temos algum prejuízo expressivo na vida da criança. Por exemplo: tirar notas baixas porque ficou jogando e não estudou para a prova, parar de comer ou comer mal e não dormir direito. A primeira coisa é levar o filho a um especialista (pediatra, psicólogo, psiquiatra) para ter diagnóstico. As pesquisas mostram que o diagnóstico de dependência é baixo se comparado ao número de pessoas que jogam. Algumas famílias têm dificuldade de limitar a criança naquela atividade, como antigamente tinham de dificuldade de limitar a televisão, por exemplo.

2. O que os pais podem fazer quando o filho, mesmo não sendo diagnosticado como dependente, fica horas jogando?

É preciso fazer uma avaliação dos hábitos de diversão da própria família. Às vezes, ela fica muito tempo em casa, mas não desce com a criança para ir a uma praça. A Associação Brasileira de Pediatria fez uma cartilha falando da importância do contato com a natureza para as crianças. Não adianta pedir para a criança descer para o playground, mas ficar muito tempo no celular. O desafio maior da família é saber o que ela faz.

3. Como assim?

O pai e a mãe também precisam deixar o celular de lado. A criança aprende por modelo. Excessos não são saudáveis. Não adianta regular o tempo que a criança fica no videogame, mas continuar no Netflix ou Instagram sem parar. Ou não tirar os olhos da tela quando a criança está falando. Se isso acontece com frequência, a criança aprende que a mídia é mais importante que a pessoa.

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