´Não fizemos nada de errado´, dizem pilotos do Legacy

Os dois pilotos do jato Legacy que se chocou com o vôo 1907 da Gol foram nesta sexta-feira, 15, ao programa de TV Today, da NBC, e disseram que não tiveram culpa pelo maior acidente aéreo da história do Brasil, em que morreram 154 pessoas.A colisão do jato com o Boeing da Gol ocorreu dia 29 de setembro, no Mato Grosso. Joseph Lepore e Jan Paladino foram indiciados pela Justiça brasileira por homicídio culposo, e podem ser condenados a até quatro anos de prisão. "Cumprimos todos os regulamentos, estávamos fazendo exatamente o que devíamos estar fazendo", disse Paladino no programa. Lepore completou: "Foi horrível ser envolvido em uma coisa dessas".Paladino afirmou que os pilotos haviam recebido autorização dos controladores de vôo brasileiros para voar a 37 mil pés, quando seguiam de São José dos Campos para os Estados Unidos, no dia 29 de setembro. Os dois sentiram um "solavanco terrível" quando as asas dos dois aviões se tocaram, disse ele, mas conseguiram estabilizar o jato e pousar numa base aérea no Pará.O Legacy 600 pertence à ExcelAire, uma empresa de vôos fretados com sede em Ronkonkoma, Nova York. "Os controladores de vôo têm a responsabilidade de administrar o tráfego", disse Paladino.Inicialmente as autoridades brasileiras afirmaram que os pilotos haviam descumprido o plano de vôo, mas um relatório preliminar afirmou que os dois aviões receberam autorização para voar a 37 mil pés, em direções opostas.O inquérito, embora ainda não seja conclusivo, também sugere que um buraco negro na cobertura do tráfego -- e um possível equívoco entre os controladores -- possa ter contribuído para o acidente.Num relatório preliminar divulgado esta semana, a polícia afirmou que os pilotos norte-americanos poderiam ter evitado o acidente se tivessem percebido que o transponder de seu avião -- um dispositivo anticolisão -- estava inoperante.Os pilotos foram obrigados a permanecer no Brasil por mais de dois meses, enquanto se conduziam as investigações. Eles receberam autorização para voltar aos EUA na semana passada, mas se comprometeram a voltar se as autoridades assim requisitarem. "Os fatos do caso vão aparecer e comprovar o erro (das acusações)", disse Paladino.

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