'Não foi um cala boca, foi uma ajuda de custo'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Dirceu Rodrigues Garcia, despachante contratado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Novo personagem do escândalo da quebra de sigilo fiscal dos tucanos, o despachante Dirceu Garcia nega que os R$ 5 mil depositados pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. em sua conta tenham sido um "cala boca". Segundo ele, foi uma "ajuda de custo" - auxílio para eventual viagem ao interior, como sugeriu o próprio Amaury.

Quando conheceu o Amaury?

No fim de 2008.

Por intermédio de quem?

De ninguém. Ele me procurou no escritório e pediu para fazer serviços para ele.

Que serviços?

Eu tirava breve relato de empresas na Junta, fichas cadastrais, fotocópias... Foi aí que começou toda a história.

Em setembro do ano passado ele pede cópias de declarações de renda?

Isso mesmo.

Como foi essa conversa?

Não houve uma abordagem formal. Foi na rua. Ele propôs que eu levantasse as fichas na Junta, mas em relação a empresas.

E como surgem os nomes dessas pessoas?

Não tenho informação. Eu só recebi os CPFs e CNPJs. Não sabia de quem eram.

Quem montou as procurações?

Aí eu não sei. A minha parte era só entregar para o Ademir (Estevam Cabral).

Você é quem explicou o que deveria ser feito ou foi o Amaury?

O Amaury não conhece ele, não existe vínculo telefônico entre eles. Eu só conheço até o Ademir. O Atella (Antônio Carlos Atella Ferreira) eu já vi, mas nunca conversei com ele.

Quanto cobrou pelo serviço?

R$ 12 mil.

Por que o Amaury depositou R$ 5 mil na sua conta após o escândalo?

O que eu recebi do Amaury não foi um cala boca.

O que era?

Ele achou que deveria dispor de R$ 5 mil para me ajudar, pela situação. Ele achou que deveria dar e deu.

Mas a título do quê?

Ele não falou. Ele só falou assim: "Fica aí como auxílio para você. Se você quiser viajar lá para a sua cidade, lá para o interior e tal." Foi um auxílio, uma ajuda de custo. Jamais fui ameaçado. O Amaury não é bandido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.