''Não gravei nada para o programa'', diz Serra

Em entrevista a rádio do Recife, presidenciável tucano passa para o DEM a responsabilidade por eventual transgressão à Justiça Eleitoral

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

O pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra, protagonista do programa do DEM exibido anteontem em cadeia nacional de rádio e televisão, passou a responsabilidade por eventual transgressão à legislação eleitoral para o partido aliado.

"Não gravei diretamente para o programa", afirmou ontem pela manhã em rápida entrevista, por telefone, a Geraldo Freire, da Rádio Jornal, do Recife. "Passaram trechos do discurso que fiz no dia 10 de abril (quando foi lançado pré-candidato da coligação). Pegaram trechos e puseram no programa deles", defendeu-se o tucano.

"Vamos analisar, se a Justiça achar algo errado a gente vê o que faz, mas a responsabilidade no caso é do próprio partido que fez o programa, porque minha imagem foi utilizada, acho isso perfeitamente normal", disse. "Vamos ver como é avaliado."

Sudene. Serra participou ontem da festa de lançamento da pré-candidatura de seu aliado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ao governo de Pernambuco. Em seu discurso, Serra anunciou que, se eleito, vai acumular, durante seis meses, o comando da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que, segundo ele, foi fechada por corrupção, reabriu, mas não anda, está "encavada".

Ele considera o órgão indispensável para o planejamento da região como um todo, com suas potencialidades e necessidades. "Vou fazer ela andar, fazer ela funcionar. Vamos copiar um impulso do passado, mas a cópia é original, vai ser uma coisa nova", disse, ao informar ter relido tudo de novo a respeito do órgão.

Vices. Diante da reafirmação do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de não aceitar ser candidato a vice, Serra frisou nunca ter proposto a ninguém para ser vice. "É um assunto que vamos resolver tranquilamente, temos todo junho", afirmou ao lembrar que "a pior coisa que tem para um político que está no governo é ter um vice que faz aporrinhação, porque é infernal". E citou que o senador Marco Maciel (DEM) - que tenta a reeleição na chapa de Jarbas - virou um padrão de referência do vice ideal, como vice do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "Quieto, discreto, cooperativo e de confiança".

Jarbas Vasconcelos confirmou a deputada estadual Miriam Lacerda (DEM) como sua companheira de chapa, na vaga de vice. Ele levantou a militância ao afirmar que não existe "essa história de enfrentar uma luta desigual", em referência ao seu adversário, o governador Eduardo Campos, que lidera as pesquisas eleitorais no Estado: "Vamos vencer a eleição." Sem contestar a afirmação de que "Lula é amigo de Pernambuco", lembrou que Lula não é mais candidato e que Pernambuco "vai mudar de amigo e esse amigo será José Serra".

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