Não há brasileiros entre os mortos no acidente no Chile

O Itamaraty e o Consulado-Geral do Brasil em Santiago confirmaram na tarde deste sábado que não são brasileiros os mortos na queda do monomotor Beechcraft B55 Baron na Patagônia chilena ontem à noite. Inicialmente, havia-se divulgado que eram brasileiros cinco dos seis ocupantes da aeronave.Os quatro turistas mortos eram portugueses, acompanhados pelo piloto e a guia, ambos de origem chilena. A dúvida foi mantida por quase 24 horas - desde as primeiras notícias sobre a queda do avião nas proximidades do lago San Rafael, a oito milhas da cidade de Coyhaique, até o final da apuração do cônsul-adjunto, Sérgio Couto, enviado especialmente na manhã deste sábado à região para checar a nacionalidade das vítimas. De acordo com o Consulado, três dos portugueses mortos são jornalistas.Maria José Margarido era uma das mais respeitadas repórteres do jornal Diário de Notícias, de Lisboa. Estava acompanhada por César Oliveira e Andie Romeiros, dois repórteres do jornal esportivo português Record, e também por Claudia Magalhães, cuja profissão não havia sido confirmada até o final da tarde deste sábado. Todos estavam em viagem de férias na Patagônia. A guia turística do grupo era Claudia Poblete e o piloto, o chileno Willy Stone. Os corpos foram resgatados do local do acidente, nas proximidades do lago San Rafael e do Monte Dois Irmãos, e transladados para Puerto Montt. O Consulado brasileiro repassou todas as informações coletadas por Couto, junto à Promotoria de Puerto Montt, para a Embaixada de Portugal. Também desmobilizou seus funcionários, que estavam em plantão desde a divulgação do incidente.Confusão de nacionalidadesSegundo Sheila Maria Oliveira, cônsul-adjunta do Brasil em Santiago, a confusão sobre a nacionalidade das vítimas surgiu com o fato de que dois monomotores da empresa de turismo San Rafael haviam decolado por volta das 13h35 (14h35, horário de Brasília) do Aeródromo Teniente Vidal, em Coyahique, para sobrevoar a região. Um deles, com o grupo português. Outro, com brasileiros. Este último grupo regressou sem problemas à base, por volta das 14h35 (15h35, horário de Brasília), mas seu piloto estranhou a demora do colega e alertou as autoridades policiais. Na confusão, as primeiras notícias divulgadas pela empresa foram de que as vítimas eram provenientes do Brasil. Os sobrenomes, entretanto, não pareciam comuns no País, o que levantou suspeitas de que poderiam estar mal grafados ou de que as vítimas não seriam brasileiras. Precavida, a Força Aérea Brasileira em Santiago informou que seria prematuro dizer que as vítimas eram do Brasil. Mas a suspeita provocou preocupação também na Embaixada e no Consulado do Brasil em Santiago.Em viagem ao Chile, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, determinou na sexta-feira a busca de informações mais consistentes, especialmente a apuração da nacionalidade das vítimas, e contatos estreitos com as autoridades locais. O Consulado decidiu que Couto deveria embarcar na manhã deste sábado em busca de informações em Puerto Montt, para onde foram transladados os corpos. Em Lisboa, o jornal Diário de Notícias e a própriaPresidência de Portugal também se mobilizaram em busca do paradeiro de Maria José. De acordo com o jornal chileno La Tercera, o piloto do monomotor teria seguido por uma rota que não lhe era não habitual em um momento de chuvas intensas. Ao tentar contornar o Monte Dois Irmãos, chocou-se contra um paredão. Em princípio, o piloto teria conseguido acionar o alarme de emergência, detectado pelo Centro de Controle Aéreo de Puerto Montt. Um helicóptero do Exército chileno foi destacado para sobrevoar a região - acabou por encontrar os destroços e que não havia sobreviventes.O acidenteO avião caiu a cerca de 150 quilômetros ao sul da cidade de Coihaique. Os turistas alugaram a aeronave para sobrevoar a zona da lagoa São Rafael. O plano de vôo previa que o aparelho retornasse a Coihaique às 16h30 (17h30 em Brasília). Como o avião não retornou, foi iniciado um plano de busca que confirmou o acidente. A região sul do Chile se caracteriza por bruscas mudanças climáticas que tornam difícil a navegação aérea e que foram a causa de acidentes de aviões de pouco porte que deixaram dezenas de vítimas nos últimos anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.