Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

''Não há ninguém neste país que vai me separar do presidente Lula''

No encerramento da campanha, Dilma reforça em Minas ligação com o presidente, mentor de sua candidatura

Malu Delgado e Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Em frente à Lagoa da Pampulha, símbolo da capital mineira, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, finalizou a campanha eleitoral reforçando o elo com o a figura política que viabilizou e construiu sua candidatura. "Não há ninguém neste país que vai me separar do presidente Lula", afirmou a petista.

Diante da possibilidade de ser eleita hoje, Dilma já iniciou apelos pela "união" de segmentos sociais e políticos no País e afirmou que governará "de forma republicana", independentemente de partidos políticos aos quais pertençam governadores e prefeitos. Em Minas, o governador Antonio Anastasia (PSDB) foi reeleito.

"Se eu for eleita, logo após a eleição, eu quero unir o Brasil em torno de um projeto de desenvolvimento não só material, mas de valores. Porque eu acredito que o nosso país vai se transformar cada vez mais num exemplo de convivência, tolerância e capacidade de viver em paz", disse.

A petista afirmou que o fechamento da campanha em Minas era simbólico. "Comecei minha vida política aqui em Belo Horizonte. Foi aqui que eu participei ainda na época da ditadura das primeiras manifestações políticas. Participei de passeatas e de todas as caminhadas que ocorreram logo depois da morte do Edson Luís (estudante secundarista morto pela Polícia Militar durante confronto em um restaurante no centro do Rio de Janeiro)", disse. "Aqui em Belo Horizonte é um local que eu sempre tenho como referência quando se trata do início da minha vida política."

Aceno. "Quando a gente ganha uma eleição a gente tem de governar para todos os brasileiros, sem exceção", ressaltou a candidata. Em seguida, explicou que não se trata de fazer convites para governar com a oposição. "Eu tenho uma coligação e vou governar com a minha coligação, agora, eu vou governar para todos os brasileiros sem exceção." A candidata afirmou que vai se relacionar com todos os políticos e governadores, "mesmo que sejam de outros partidos, de uma forma republicana, de uma forma muito transparente".

Sempre questionada sobre o papel de Lula em seu eventual futuro governo, a petista reiterou os laços de confiança "política e pessoal no presidente". "Obviamente não será uma presença dentro do ministério. Agora, para mim, que tenho uma relação muito forte com o presidente Lula, construída ao longo dos oito anos em que participei do governo, ele será sempre uma pessoa em quem eu tenho imensa confiança política, pessoal. (...) Sempre que puder terei conversas, conversarei com o presidente, terei com o presidente uma relação muito íntima e muito forte", explicou.

Após uma tumultuada entrevista coletiva sob uma tenda montada em frente à lagoa na região da Pampulha, Dilma seguiu em carreata por Venda Nova, região da periferia onde é bem votada. A coordenação de campanha espalhou pela capital vários cavaletes com placas reforçando a relação da petista com a cidade. "Dilma fez esporte aqui", dizia uma delas, com a foto do Minas Tênis Clube. "Dilma estudou aqui", dizia outra, com a imagem do Colégio Estadual Central. As placas foram colocadas em ruas pelas quais passou a carreata de Dilma. "BH tem Dilma 13", diziam os textos.

Comitiva. Acompanharam a candidata num carro aberto durante a carreata o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e o ex-prefeito Fernando Pimentel, derrotado na disputa ao Senado em Minas. Num carro logo atrás seguiam o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia.

O ministro das Relações Institucionais licenciado, Alexandre Padilha, e os ex-ministros Patrus Ananias e Antônio Palocci também acompanharam a comitiva petista. Causou estranheza a ausência do candidato derrotado ao governo de Minas Hélio Costa (PMDB). Também não havia militantes do PMDB mineiro.

A Polícia Militar não soube estimar quantos veículos ou pessoas participavam do ato, já que a militância misturou-se à aglomeração comum na área comercial da região. A carreata da qual a candidata participou em carro aberto se encontrou com outra que chegava de municípios da Grande BH em Justinópolis, na divisa da capital com Ribeirão das Neves, um dos municípios mais pobres da região metropolitana de Belo Horizonte.

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