Não há vestígio de falha em manetes, diz IC

Parte do equipamento estava em aceleração no pouso em Congonhas

José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

O laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre o acidente com o Airbus A320 da TAM em Congonhas, que completa um ano na quinta-feira, deve ser concluído na primeira quinzena de setembro. Três quartos do documento, dividido em seis capítulos (pista, destroços, manetes, gravadores de vôo e voz, manutenção e procedimentos dos pilotos) estão redigidos. O ponto-chave é o posicionamento dos manetes (mecanismos que determinam a direção da propulsão da turbina), examinados no Brasil e na França - onde passaram por tomografia e radiografia que resultaram em quase 2 mil imagens. "Depois eles voltaram para cá, e examinamos dente a dente de cada uma das engrenagens", disse o perito responsável pelo laudo, Antonio Nogueira. Segundo ele, o manete do lado direito (referente ao reverso que estava travado) não foi tirado da posição de aceleração. Também não foi encontrado vestígio de falha na transmissão. Mas ele também opina que o sistema mecânico não é o único a ser considerado. "A outra coisa envolve os procedimentos adotados pelo piloto, que tem a ver mais com a parte psicológica, que eu não estou apto a examinar. Quem faz isso é com muita propriedade é o pessoal do Cenipa."Sobre a pista, Nogueira afirma que ela estava dentro dos padrões internacionais, mas não para todo tipo de situação. Pousos em dias de chuva e aterrissagens de aeronaves com reverso (que inverte a direção da força da turbina) pinado (travado) não eram recomendados - duas características do acidente. Ele também nota a falta de grooving (ranhuras) em Congonhas. O exame nos pneus revelou que não houve hidroplanagem (deslizamento causado por lâmina d?água) e que não foram acionados spoilers (aletas laterais nas asas), antiskid (que evita o travamento das rodas) e autobrake (freio). "Isso indica que a aeronave ?estava querendo voar?, ou seja, arremeter. Enquanto os pilotos queriam pousar. A confusão toda se deu porque o manete esquerdo estava posicionado em reverso. O outro, do lado que o reverso estava pinado, permaneceu em aceleração." Nogueira também diz que a manutenção da aeronave estava em dia.

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