Marcelo Albert/TJMG/Divulgação
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'Não mandei, mas aceitei', diz Bruno sobre assassinato de Eliza

Goleiro depõe em julgamento e afirma que o amigo Macarrão tramou a morte de Eliza Samúdio e que corpo foi esquartejado

Marcelo Portela e Aline Reskalla - Atualizado às 23 horas,

06 Março 2013 | 21h04

CONTAGEM - O goleiro Bruno Fernandes admitiu nesta quarta-feira que a ex-amante Eliza Samudio, de 24 anos, foi assassinada e teve o corpo esquartejado e jogado para os cães pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Em seu depoimento, o jogador alegou que não tinha conhecimento prévio do crime e a execução da jovem foi tramada pelo seu braço direito e amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. "Como mandante dos fatos, eu nego, mas, de certa forma, me sinto culpado", disse o goleiro.

O ex-atleta do Flamengo assumiu que se beneficiou da morte e poderia até ter evitado que ocorresse. "Não sabia, não mandei, mas aceitei", disse o goleiro, referindo-se ao assassinato. Ele foi o primeiro dos nove acusados do caso a indicar nominalmente Bola pelo sumiço de Eliza, morta em 10 de junho de 2010, segundo relatou o réu nesta quarta-feira.

Bruno negou o sequestro, porém, e afirmou que a jovem se encontrava com ele para exigir dinheiro, a título de ‘pensão’, pelo fato de terem tido um filho. Eles conversaram sobre a pensão e a modelo teria acertado com Macarrão que receberia R$ 50 mil - o ex-atleta ainda teria admitido comprar um apartamento para ela e para o filho.

Mas o goleiro não teria o dinheiro "em espécie", quando ocorreu a negociação. "Eu disse a ela que teria R$ 30 mil, mas depositava (o restante) na segunda. Ela não aceitou e disse: ‘Eu sei que vocês têm dinheiro. Então eu vou com vocês para Minas Gerais para receber o dinheiro’."

No depoimento, o ex-atleta do Flamengo disse que recebeu Eliza normalmente em seu sítio e não teve nenhuma discussão com ela. Posteriormente, aos prantos, relatou ter ficado "desesperado" ao ser informado do crime por Macarrão - mas não sabia como ela havia morrido. "Eu cheguei perto do Jorge e perguntei como tinha acontecido. O Jorge falou comigo que o Macarrão foi até o Mineirão e conversou com uma pessoa no orelhão - e naquele momento começou a seguir um cara de moto até uma casa na região de Vespasiano e lá entregou Eliza para um rapaz chamado Neném (como era conhecido o ex-policial Bola)", afirmou Bruno. "Depois um rapaz perguntou para Eliza se ela era usuária de drogas, pediu que Macarrão amarrasse as mãos dela para frente e deu uma gravata nela. E o Macarrão pegou e ainda chutou as pernas de Eliza. Foi o que o Jorge me falou. E que ainda tinha esquartejado o corpo dela, tinha jogado o corpo dela para os cachorros comerem. Depois, o rapaz foi até um porão e pegou um saco preto e perguntou se eles queriam ver o resto; eles pegaram e saíram desesperados."

Estratégia

O depoimento de Bruno durou oito horas (incluindo os intervalos) e só foi encerrado após 20h. O goleiro respondeu às perguntas feitas pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que preside o Tribunal do Júri no Fórum de Contagem e dos seus advogados - quando relatou ter evitado falar anteriormente sobre o caso por "medo" de Bola - , mas evitou responder às 40 perguntas da Promotoria e dos advogados de outros acusados - que chegaram a fazer perguntas para uma cadeira vazia.

Mesmo com o silêncio do réu, O promotor Henry Wagner Vasconcelos destacou contradições no depoimento do goleiro, como o fato de Bruno negar que Eliza tenha sido sequestrada, mas ter feito mais de dez ligações para Macarrão e Jorge pouco antes de a vítima ser retirada do hotel em que estava.

Em novembro, Macarrão já havia confessado que Eliza foi assassinada, mas afirmou que Bruno foi o mandante do crime. A estratégia do goleiro agora é conseguir redução da pena, como ocorreu com Macarrão, que foi condenado a 15 anos de prisão (12 em regime fechado).

Pelo Código Penal, uma acusação de homicídio triplamente qualificado pode render até 30 anos de cadeia. "O réu não confessou. Não há sequer um traço de confissão. A única coisa que Bruno fez foi aceitar o que aconteceu com ela. Isso não vai aliviar em nada a situação dele. Qualquer pena muito abaixo de 30 anos vamos recorrer", adiantou Vasconcelos.

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