''Não quero mais saber disso, não'', diz motorista

ENTREVISTA - Edgar Mecabo: caminhoneiro

Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

O motorista Edgar Mecabo, de 30 anos, foi surpreendido pelo fogo. Ele tentou de várias formas conter as chamas, sem sucesso. Ainda transtornado, planejava ontem largar o emprego de caminhoneiro. Como percebeu o incêndio?O passageiro de um ônibus, que havia me ultrapassado, gritou pela janela: ?Está pegando fogo!? Outro rapaz saiu correndo de cima da ponte e entrou na minha frente. O motorista do mesmo ônibus fez assim para cima (apontando o dedo indicador para o alto). Quando parei, a carreta já estava em chamas. Se tivesse andado mais 100 metros, não teria conseguido saltar. Qual foi sua reação?Tentei apagar (o fogo) com o extintor, mas não deu certo. Tentei desengatar a carreta do cavalo, mas não consegui, porque o fogo queimou as mangueiras de ar. Só deu para salvar a carteira e o celular. O que causou o incêndio? Não sei, não faço ideia. Parei e a carreta já estava tomada pelo fogo. A lona havia derretido e as caixas de fósforo caíram em cima do tanque. Na hora que peguei o extintor, explodiu o tanque. Já havia se envolvido em algum acidente antes?Não. Vai continuar trabalhando como caminhoneiro?Vou dar um tempo agora, descansar uns dez dias. Mas, depois, não quero mais saber disso, não. Agora, por que eu não dormi uma hora a menos ou uma hora a mais, antes de sair com o caminhão?

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