''Não se pode impor quarentena eterna'', afirma Pimentel

Ministro explica que empresa ''praticamente está inativa'' e que não pensa em alterar objeto social da consultoria

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

O ministro Fernando Pimentel afirmou ontem que sua empresa de consultoria, a P21, está "praticamente inativa" e que não há conflito de interesse em mantê-la enquanto comanda o ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pois não há contratos no momento.

"Obviamente que eu não acho errado. Isso é uma atividade normal, uma atividade empresarial como outra qualquer. Nós não podemos vedar às pessoas (o direito) de ganhar a vida no momento em que elas saem da vida pública e vão para a vida privada, senão você teria que impor uma quarentena eterna aos ex-ministros", argumentou.

Pimentel disse que não pretende alterar o objeto social da P21 - Consultoria e Projetos Ltda., com sede em Belo Horizonte. "Não há motivo para isso, ela não tem contrato com ninguém", disse o ministro, que participou, em Ipatinga, da inauguração da segunda linha de galvanização da Unigal Usiminas.

O ministro é dono de 99% da P21 e seu ex-assessor na prefeitura de BH, Otílio Prado, detém 1%. Em dezembro do ano passado houve uma alteração no contrato e Prado assumiu a gestão da empresa. As participações e o objeto social foram mantidos.

"Ela está ativa, mas eu estou fora da administração dela. E ela não tem mais contrato, então praticamente está inativa. Ela só não está totalmente inativa porque ainda paga as contribuições do INSS para mim e para o sócio", explicou Pimentel.

O ministro disse que garantiu seu sustento e o de sua família no período em que deixou a prefeitura da capital mineira até assumir o ministério graças às atividades de consultoria.

Questionado sobre o rendimento da P21 nesse período, Pimentel desconversou. "Foi um rendimento compatível com a atividade dela, não foi nada extraordinário."

O ministro enfatizou que a existência da consultoria foi comunicada à Comissão de Ética Pública e tratou a consultoria como um negócio encerrado. "Eu não tenho, eu tinha uma empresa de consultoria que deu sustento a mim e á minha família nos dois anos de intervalo entre a minha saída da prefeitura e o momento em que eu assumi o ministério", destacou. "Uma atividade perfeitamente legal. Nesses dois anos eu era um cidadão comum, toda a minha prestação de contas foi aprovada, a declaração de rendas é feita normalmente e a comissão de ética do serviço público tem conhecimento disso, não vejo problema nenhum."

A P21 funciona em um luxuoso prédio no bairro de Lourdes, uma das áreas mais valorizadas da capital mineira. No local, porém, nada indica a existência da empresa. O Estado tentou visitar ontem a sede da empresa, mas, ao ser informada pelo porteiro, a secretária não autorizou a entrada. Ela se identificou como Késia e disse que entraria em contato com o sócio de Pimentel, Otílio Prado. Ele não retornou até o fechamento da edição. /COLABOROU MARCELO PORTELA

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