'Não sei quem pediu. Sou um office boy de luxo'

ENTREVISTA

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

Antonio Carlos Atella Ferreira

CONTADOR

Apontado como personagem chave da quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, o contador Antonio Carlos Attela Ferreira diz que protocolou o pedido de acesso às declarações de Verônica Serra atendendo à encomenda de terceiros. Mas não revelou o autor do pedido. À porta de sua casa, em Ribeirão Pires, Grande São Paulo, se definiu como "office boy de luxo".

O sr. conhece Verônica Serra?

Nem sabia (dela), conheço o pai dela. Sempre votei nele, de olhos fechados.

Por que há uma procuração em seu nome pedindo acesso aos dados fiscais de Verônica?

Sou profissional liberal e faço esse trabalho, sou um office boy de luxo.

Quem pediu isso ao sr.?

Com certeza advogados de São Paulo, mas não sei quem. Preciso ver na minha agenda, tenho 8 agendas.

O sr. não lembra?

Tenho muitos clientes, sou bem-sucedido.

O sr. conhece os funcionários da Receita?

Conheço todo mundo na Receita. Não conheço Antônia Aparecida (ex-chefe da agência da Receita em Mauá). A gente não sabe quem é quem lá dentro. Eles andam com crachá, é tudo número. Mas se eu olhar para a cara eu sei quem é quem. Agora eu vou aproveitar essa minha fama, se o Ronaldo Esper pode roubar vasos no cemitério e virar deputado por que eu não posso?

O sr. pedia favores na Receita?

Nunca pedi favor, não existe favor. Se por acaso eu quisesse violar o sigilo de alguém eu ia protocolar o requerimento, pagar Darf de 10 reais? Não fiz nada escondido.

Mas houve uma quebra de sigilo não autorizada.

Como quebra de sigilo? Alguém se aproveitou disso, me usaram. Eu tiro qualquer tipo de documento. Faço isso 20, 30 vezes por dia. Agora, não sei como é que o nome foi parar lá.

Como é que o sr. não lembra quem foi que pediu?

Tenho agenda muito grande, posso dizer que é de São Paulo.

Como é que esse requerimento chegou em suas mãos?

Os clientes passam, às vezes até motoboy vem me entregar.

Quanto o sr. cobra?

Em média R$ 50.

Por que o sr. foi na Delegacia de Santo André? É o lugar que o sr. mais frequenta?

Não, vou em todas, vou na que é mais fácil.

O sr é filiado a algum partido?

Não sou, não gosto de político.

Por que há mais de um CPF em nome do sr.?

Vi isso na internet e vou entrar com processo contra quem diz isso. O que pode acontecer é que tenha uma multiplicidade, mas isso cabe à Receita regularizar.

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