''Não tem como colocar um fiscal em cada ponto''

Todas as regiões de São Paulo têm pontos de descarte irregular de entulho. O problema, afirma a Prefeitura, é conseguir fiscalizar todos os lugares. Há ainda a dificuldade, diz a administração, de que, após serem flagrados, os caçambeiros clandestinos mudam o local de depósito de sujeira. Dados do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) mostram que, em 2008, foram aplicadas 2.166 multas e apreendidos 802 caçambas e 24 caminhões. Qualquer um pego jogando lixo em via pública - seja caçambeiro ou não - recebe multa de R$ 500. A mesma punição é dada a quem contrata um serviço de caçamba irregular. Também é feita a autuação por crime ambiental. Para fugir da fiscalização, os clandestinos param o caminhão e deixam o veículo ligado, com o motorista ao volante. O ajudante desce e libera o entulho na calçada. Tudo é muito rápido. Alguns atuam até mesmo durante o dia. O secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, admite que é "impossível" fiscalizar todos os pontos usados pelos clandestinos. Para ele, a solução para o problema se concentra em dois pontos: punição e educação. "Não tem como colocar um fiscal em cada ponto", diz Matarazzo. O secretário afirma ainda que, quando há flagrante, a Prefeitura pune e apreende os caminhões. "Temos agido com rigor. É um caso de polícia." Para Matarazzo, não jogar entulho na rua é questão de civilidade. "Ninguém pode ser irresponsável dessa maneira", diz. De acordo com Elizabete Grimberg, coordenadora de Meio Ambiente do Instituto Pólis, os pontos de descarte se tornam pequenos lixões, trazendo ratos, baratas e riscos de contaminação aos vizinhos, além de degradar o ambiente urbano. "É um problema de saúde pública", argumenta. Elizabete classifica como "frágil" o argumento da Prefeitura de que a fiscalização é difícil. "Isso mostra a incapacidade (da Prefeitura) de se estruturar." Ela sugere que sejam feitas campanhas voltadas para a população, além da se ampliar a coleta seletiva.

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